Brasil aprova “Declaração de Florianópolis” que garante proteção das baleias

Brasil consegue aprovar “Declaração de Florianópolis” que garante proteção das baleias

Depois da derrota de ontem, em que teve sua proposta de criar um Santuário de Baleias no Atlântico Sul recusada, durante o encontro da Comissão Internacional das Baleias (IWC, em inglês), que acontece esta semana em Santa Catarina, hoje (13/09) o Brasil conseguiu que fosse aprovada a “Declaração de Florianópolis”, documento que defende os direitos e a proteção às baleias e reafirma a moratória de caça ao maior mamífero do planeta.

Desde 1986, a IWC impôs uma moratória global à caça comercial a estes cetáceos. No século passado, quase 3 milhões deles foram mortos no mundo. Por esta razão, a maioria das espécies de baleais estava ameaçada de extinção – umas mais do que outras -, mas todas corriam o risco de desaparecer dos oceanos.

Ao longo dos últimos 30 anos, a população de muitas espécies conseguiu aumentar seus números, mas especialistas afirmam que atualmente elas enfrentam outras ameaças, como a colisão com embarcações, o aprisionamento em redes de pesca, o lixo nos oceanos e as mudanças climáticas.

A Declaração de Florianópolis foi aprovada por 40 votos a favor, 27 contra e 4 abstenções. Países que querem o retorno da caça comercial das baleias, entre eles, Japão, Rússia, Islândia e Noruega, protestaram.

“Bem-vindos ao futuro!”, comemorou Nicolas Entrup, da organização suíça OceanCare. “Esta é uma decisão histórica da IWC, contra a exploração letal das baleias”.

Os japoneses ainda aguardam uma nova votação para sua proposta de por fim à moratória de caça das baleias. O país defende que já não há mais risco de extinção e que a “pesca sustentável” seria possível. Dificilmente ela será aprovada, ainda mais agora que a declaração liderada pelo Brasil foi aceita.

Para que qualquer medida seja adotada, ela precisa de, no mínimo, ¾ dos votos dos países membros da entidade. A moção do Japão deveria ser votada hoje, mas dado o clima tenso durante o encontro, foi adiada para a sexta-feira (14/09).

“A IWC evoluiu de um antigo clube baleeiro para uma entidade de conservação com o pensamento no futuro. As nações pró-caça não evoluíram, mas insistimos que elas não tentem reverter esta decisão relevante e atual”, afirmou Patrick Ramage, do International Fund for Animal Welfare (IFAW).

Segundo ele, a declaração é uma grande vitória e um sinal claro da intenção, da maioria dos representantes em reconhecer que a conservação e a proteção das baleias é o caminho a ser seguido, não aquele da matança cruel e desnecessária.

“Esperamos que o Japão perceba que este é o futuro que a maioria deseja”, destacou Ramage.

*Com informações do site Phys.org

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Foto: Florida Fish and Wildlife Conservation Commission, taken under NOAA research permit #15488/Flickr

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

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