Japão tenta, mas não consegue aprovar a liberação da caça comercial à baleia

Japão pede fim da moratória de caça comercial à baleia em encontro internacional

TEXTO ATUALIZADO EM 14/9/2018:

A proposta do Japão para acabar com a moratória da caça comercial à baleia, foi rejeitada hoje, 14/9, pela Comissão Baleeira Internacional, em Florianópolis, onde está sendo realizado encontro anual da instituição.

Brasil, Estados Unidos e Argentina estão entre os 41 países que votaram contra. A favor, estavam 27 países com tradição na pesca desses mamíferos A votação também teve duas abstenções: Coreia do Sul e Rússia.

TEXTO ORIGINAL, PUBLICADO EM 12/9/2018:

Em 1986, a Comissão Internacional de Baleias (IWC, na sigla em inglês) impôs uma moratória global à caça comercial a este gigante dos mares. No século passado, quase 3 milhões de baleias foram mortas no mundo. Por esta razão, a maioria das espécies deste cetáceo estava ameaçada de extinção – umas mais do que outras -, mas todas corriam o risco de desaparecer dos oceanos do planeta.

Pouco mais de 30 anos após a moratória entrar em vigor, o Japão pede o seu fim em congresso da entidade que acontece, esta semana, no Brasil. Representantes de diversos países estão reunidos em Florianópolis, em Santa Catarina, até sexta-feira.

O Japão alega que a moratória deveria ser temporária e as populações das espécies ameaçadas já tiveram tempo suficiente para se recuperar do declínio de suas populações. O país defende o retorno da “caça sustentável”. Além disso, quer que uma nova decisão seja feita por maioria de votos e não por três quartos da maioria, como acontece atualmente nas votações da IWC.

Ao lado dos japoneses, outros países também são a favor da caça comercial da baleia, como Islândia e Noruega, que têm uma tradição secular nesta atividade.

Todos os anos, “pesquisadores” japoneses matam centenas de baleias com “objetivos científicos”. Este ano foram mais de 300, como mostramos neste outro post.

O Brasil, que recebe o atual encontro, é contrário à matança de baleias. Desde 1987, a caça a baleias e golfinhos é proibida no país. Em 2008, o governo também declarou as águas jurisdicionais marinhas brasileiras (aquelas na costa ou próximas dela que o país tem direito e responsabilidade de proteção) Santuário de Baleias e Golfinhos. O decreto tinha como finalidade “reafirmar o interesse nacional no campo da preservação e proteção de cetáceos e promover o uso não-letal das suas espécies”.

Inclusive, uma das propostas brasileiras é justamente é criar um criar um Santuário de Baleias no Atlântico Sul, como já antecipamos aqui, nesta reportagem de 2016.

Por isso mesmo, o Brasil lutará contra a proposta do Japão, ao defender que a caça comercial de baleias não se faz mais necessária nos dias atuais e que o número de baleias no mundo deve voltar àqueles antes da era pré-industrial.

Ao lado do Brasil, contra o retorno da caça às baleias, estão Austrália, Nova Zelândia, Estados Unidos e países da Comunidade Europeia.

*Com informações da Deutsche Welle 

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Foto: domínio público/pixabay

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

3 comentários em “Japão tenta, mas não consegue aprovar a liberação da caça comercial à baleia

  • 12 de setembro de 2018 em 3:47 PM
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    Um país com sede de matar é um país em extinção, sem vaga no Planeta Terra, exemplarmente compromissado com a vida de todas as espécies, TODAS. Nada justifica o assassinato destes animais, mães e seus bebês inclusive, com a desculpa esfarrapada de pesquisa científica, uma ova. Nenhuma riqueza se compara às vidas que um país evoluído deveria resguardar a qualquer preço e proteger, respaldado em suas leis íntegras e imparciais, que não maltrata animais porque não maltrata pessoas, testemunhando para o mundo que um país só é rico na medida em que defende os valores da vida de todos os seres nascidos sob sua bandeira. Este, em questão, e todos os outros países que rezam pela mesma Cartilha, é um país pobre de riquezas autênticas, mendigo de conhecimento superior, analfabeto de emoções sublimes, como amor e compaixão ou no mínimo, consciência, lucidez e dever. Nenhuma tecnologia se compara a uma só lágrima ou uma só dor; e nenhum poderio econômico é tão veemente como aquela pessoa anônima que se emociona diante de quem sofre para ajuda-la a sofrer menos. Nada justifica esse massacre, essa carnificina para alimentar uma Ciência fajuta, obsoleta e ultrapassada que deveria preservar, estudar e valorizar uma espécies VIVA mas, porque ainda não aprendeu quesitos tão básicos de convivência pacífica, prefere dilapidar e destruir o que não é patrimônio dela nem tampouco nasceu para servi-la, morrendo à toa por ela. O que distingue países ricos de países pobres é a maneira racional e superior com que eles consideram as Vidas, sejam humanas ou não, ensinando aos seus habitantes noções de respeito e consideração, não apenas com os nossos iguais, mas com todos os seres, e punindo com rigor os infratores de suas sábias e justas leis. Um país que não se importa em divulgar para o mundo sua conduta arcaica, equivocada, truculenta, criminosa e bárbara, exigindo permissão para matar inocentes, em nome de pesquisas sinistras ou seculares tradições de barbarismo e crueldade, não deveria sequer ser ouvido quando pleiteia direitos que não possui mas que insiste em “desfrutar” imerecidamente. Prioridade é erguer o braço para salvar ao invés de exterminar espécies pacíficas e pacificadoras, violando seu Habitat, na contramão de Deus, pelo avesso da Sabedoria, em desacordo com a Justiça e com a Ética, se é que isso importa para quem já ultrapassou os sagrados limites Dele, mas ainda quer mais.
    https://www.brasil247.com/pt/247/revista_oasis/128548/Parem-a-matan%C3%A7a!-Massacre-de-golfinhos-no-Jap%C3%A3o-e-na-Dinamarca.htm
    https://oglobo.globo.com/sociedade/ciencia/meio-ambiente/programa-baleeiro-japones-mata-122-baleias-gravidas-22731818
    https://www.anda.jor.br/2016/02/a-crueldade-cometida-contra-os-golfinhos-na-ilha-de-taiji-no-japao/

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  • 25 de setembro de 2018 em 11:21 AM
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    Nao querendo defender ninguem, mas o Japao come carne de baleia importada…. pasmem…..procedencia legal de um pais que exporta 80% para eles…. Japao respeita os animais que ele necessita para sobreviver, respeita o periodo para ser comestivel, o que nao acontece com os vizinhos asiaticos sedendos de comercializacao, invadindo limites maritimos deles. Se for assim temos que defender as vacas, as galinhas e os porcos tambem….

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