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Orangotango trata ferida com planta medicinal, em registro inédito para a ciência

Orangotango trata ferida com planta medicinal, em registro inédito para a ciência

O homem está longe de ser o único ser do planeta a conhecer os poderes medicinais das plantas. Na verdade, talvez ele tenha herdado esse conhecimento de seus ancestrais primatas. Até hoje várias espécies já foram documentadas ingerindo plantas ou ainda, usando insetos, para tratar infecções parasitárias ou feridas. Entretanto, nunca antes havia sido registrado um caso como o do orangotango Rakus.

Biólogos do Instituto Max Planck de Comportamento Animal, da Alemanha, e da Universitas Nasional, da Indonésia, estavam estudando orangotangos-de-sumatra (Pongo abelii), uma espécie criticamente ameaçada de extinção. Enquanto estavam no Parque Nacional de Gunung Leuser, onde vivem cerca de 150 desses primatas, pesquisadores repararam que Rakus apresentava uma grande ferida embaixo de um dos olhos. A suspeita era que seria o resultado de uma briga com outro macho para defender seu território.

No entanto, nos dias seguintes, o orangotango foi flagrado, por diversas vezes, mastigando e comendo as folhas de uma planta (Fibraurea tinctoria). Além disso, o suco que restava era aplicado na ferida na face. Depois, Rakus ainda colocava os restos da folha na lesão.

Em apenas cinco dias, o ferimento estava fechado e cicatrizado, sem nenhum sinal de infecção (veja a imagem impressionante do antes e depois na imagem acima, em destaque).

“Esta e outras espécies de plantas encontradas nas florestas tropicais do Sudeste Asiático são conhecidas pelos seus efeitos analgésicos e antipiréticos e utilizadas na medicina tradicional para tratar diversas doenças, como a malária. Análises de compostos químicos vegetais mostraram a presença de furanoditerpenóides e alcalóides protoberberina, conhecidos por terem atividades antibacterianas, anti-inflamatórias, antifúngicas, antioxidantes e outras atividades biológicas relevantes para a cicatrização de feridas”, disse Isabelle Laumer, uma das pesquisadoras responsável pelo registro.

Orangotango trata ferida com planta medicinal, em registro inédito para a ciência

A ferida ainda aberta de Rakus, antes dele começar o tratamento com a planta medicinal
Foto: © Armas / Suaq Project

Para os biólogos, como o orangotango não passou a folha em nenhuma outra parte do corpo, isso prova que sua atitude era intencional para tratar o ferimento.

“Até onde sabemos, este estudo é a primeira documentação sistemática do suposto tratamento ativo de feridas com uma substância vegetal biologicamente ativa em… espécies não humanas”, escrevem os pesquisadores em artigo, divulgado na publicação Scientific Reports.

“O tratamento de feridas humanas foi provavelmente mencionado pela primeira vez em um manuscrito médico que data de 2.200 aC, que incluía limpeza, emplastro e curativo de feridas com certas substâncias”, destaca Caroline Schuppli, outra pesquisadora envolvida no estudo. “Como as formas de tratamento ativo de feridas não são apenas humanas, mas também podem ser encontradas em grandes símios africanos e asiáticos, é possível que exista um mecanismo subjacente comum para o reconhecimento e aplicação de substâncias com propriedades médicas ou funcionais em feridas e que nosso último ancestral comum já apresentava formas semelhantes de comportamento unguento.”

*Com informações e entrevistas contidas no texto de divulgação do Max Planck Institute

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Fotos de abertura: © Armas / Suaq Project

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Iacy Rodrigues da Silva
Iacy Rodrigues da Silva
18 dias atrás

Quem nunca viu cachorro/gato comendo capim? Nossos avós diziam: estão se curando de algum mal/diarreia/dor.
Quem nunca tomou chá, usou emplasto para curar mal-estar ou edema/ferida?
A nova geração fica atônita com a atitude do orangotango porque, atualmente, se a Organização Mundial da Saúde não disser que tal fármaco é bom, fica até proibido o uso.
Como acham que sobrevivemos até aqui? Por que acham que várias espécies de pássaros comem argila antes de saírem em bando para comer frutas? As várias espécies animais sabem exatamente o que podem comer e o que devem evitar.Se estivermos perdidos numa floresta, e tiver animal, devemos comer apenas o que eles comem, principalmente se tiver símios por perto.
Todo fármaco surge de conhecimento empírico, observado “a posteriori” em laboratório, repetido em humanos, etc…
Estamos nos afstanfo do natural, a ponto de adultos pensarem duvidarem que a água de coco é indicada para hidratar em casos de diarreia, desidratação, insolação, etc…
Voltemos para a Natureza, Ela é a mãe de todas as gerações e espécies.

Jassilene
Jassilene
17 dias atrás

Perfeito o seu comentário.

Fabio
Fabio
17 dias atrás

Vc está corretíssimo.

Rodrigo
Rodrigo
17 dias atrás

Perfeito

Lightium
Lightium
17 dias atrás

Perfeito mesmo, concordo plenamente.

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