Grupo de associações e cooperativas lança edital de chamada pública para apoiar empreendimentos da economia solidária

São muitos os movimentos, associações e cooperativas ligados à economia solidária no Brasil. Assim como são muitas as dificuldades para se manterem ativos, incluindo aqui espaços de comercialização de produtos, acesso a crédito, maquinário, equipamentos e assistência técnica em diversas áreas.

O universo da Unicopas – União Nacional das Organizações Cooperativistas Solidárias, que reúne 800 mil trabalhadoras e trabalhadores e representa 2.500 associações e cooperativas no Brasil, demonstra como esse setor permanece ativo e potente no país. Esses grupos atuam na produção agrícola familiar, na confecção de artesanato, roupas, acessórios, na coleta de recicláveis, em extrativismo e até mesmo em serviços.

A boa notícia é que a Unicopas acaba de lançar – foi em 5 de maio -, um edital de chamada pública para apoiar essas cooperativas e associações. Os responsáveis pelos empreendimentos podem inscrever projetos com abrangência municipal, territorial, estadual ou interestadual, e se candidatar a receber o apoio, que pode chegar a R$ 28.924,67.

Com esse recurso, será possível, por exemplo, adquirir maquinário e equipamentos, móveis, utensílios e material permanente, veículos, equipamento de proteção individual, de informática e comunicação, promover reformas, dentre outras possibilidades. As aquisições devem estar vinculadas à finalidade do projeto.

As inscrições seguem até 19 de maio e o edital é parte das atividades desenvolvidas pelo projeto Fortalecimento da Rede Unicopas, co-financiado pela União Europeia.

Fortalecendo as mulheres da economia solidária

O objetivo da chamada é ajudar a fortalecer os empreendimentos da rede da Unicopas. “Serão valorizadas iniciativas em redes e arranjos produtivos. Esse apoio visa fomentar abordagens inovadoras, com impacto social e boas práticas, que incentivem a sustentabilidade econômica dos empreendimentos na parte produtiva, em especial os empreendimentos compostos majoritariamente por mulheres ou com lideranças femininas”, destaca Arildo Mota Lopes, presidente da Unicopas.

As mulheres são presença forte na economia solidária. Os empreendimentos com liderança feminina estão em todas as áreas: alimentação, costura, saúde, serviços, coleta de recicláveis, dentre muitos outros. Já escrevi aqui, no Conexão Planeta, sobre empreendimentos solidários liderados por mulheres como a Cooperapas e a Justa Trama.

Nesse sentido, as iniciativas de economia solidária são uma resposta às necessidades cotidianas das mulheres, mas não só. Geram emprego e renda, diminuem as desigualdades no âmbito das relações trabalhistas, se constituem em espaços de discussão, reflexão e deliberação coletivas, proporcionam expressão e reivindicação coletivas.

No primeiro mapeamento nacional de empreendimentos solidários realizado no Brasil em 2013 pela então Senaes (Secretaria Nacional de Economia Solidária), os empreendimentos compostos por mulheres (21%) já eram apontados como em maior número em relação aos que possuíam apenas homens em sua composição (12%). Os outros 67% eram empreendimentos mistos, muitos dos quais com mulheres entre suas lideranças.

Ainda segundo o presidente da Unicopas, o apoio busca também fortalecer redes e cadeias produtivas em todo o país e contribuir para o cumprimento da Agenda 2030 e dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). “O cooperativismo e a economia solidária são fortes estratégias de transformação e justiça social. Entre tantos benefícios, geram trabalho digno e renda, principalmente para as populações mais vulneráveis”, avalia.

Sobre a Unicopas

A Unicopas é composta por quatro centrais: Unicafes (União Nacional das Cooperativas de Agricultura Familiar e Economia Solidária), Unisol Brasil (Central de Cooperativas e Empreendimentos Solidários), Concrab (Confederação das Cooperativas de Reforma Agrária do Brasil) e Unicatadores (União Nacional de Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis do Brasil).

Nesse universo se reúnem agricultoras e agricultores familiares, assentados da reforma agrária, indígenas, quilombolas, ribeirinhos e extrativistas, catadores de materiais recicláveis, artesãs e artesãos, trabalhadores de empresas recuperadas, integrantes de empreendimentos econômicos solidários em núcleos urbanos e rurais.

O cooperativismo e a economia solidária são, para todos esses grupos e centrais, estratégias de estímulo ao crescimento econômico e diminuição dos níveis de desigualdade social, além de contribuírem para superação das discriminações. Fomentam um modelo de desenvolvimento com sustentabilidade e justiça social.

Com informações da Unicopas

Foto: Perry Grone/Unsplash

Mônica Ribeiro

Jornalista e mestre em Antropologia. Coordenou a Comunicação da Secretaria do Verde da Prefeitura de São Paulo – quando criou as campanhas ‘Eu Não Sou de Plástico’ e, em parceria com a SVB, a ‘Segunda Sem Carne’. Colabora com a revista Página 22, da FGV-SP e com a Plataforma Parceiros Pela Amazônia, e atua nas áreas de meio ambiente, investimento social privado, economia solidária e negócios de impacto, linkando projetos e pessoas na comunicação para um mundo melhor

Deixe uma resposta