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‘Deveras Amazônia’ une saber tradicional e ciência em alimentos de sabor único

Unir o conhecimento tradicional com a ciência e transformar essa conexão em produtos de sabor surpreendente a partir de ingredientes amazônicos é o que move a empresa Deveras Amazônia, negócio de impacto sediado em Santarém, no Pará.

Galeias, licores, conservas e outros produtos desidratados enchem os olhos com cores e texturas antes de surpreenderem o paladar. São sabores que transbordam de ingredientes como Vitória-régia, flor de jambu, pupunha, pajurá, tucupi, cupuaçu, chicória, camu-camu e muitos outros.

Até mesmo berries amazônicas, como frutos selvagens da espécie Myrcia sylvatica, de ocorrência em territórios específicos do oeste do Pará, que têm se tornado escassos em consequência de desmatamento e processos de mudança de uso de solo na região.

A produção é feita a partir de agroflorestas (sistema em que alimentos são cultivados junto à floresta, em consórcio, sem promover desmatamento para estabelecer as roças), em parceria com a agricultura familiar, o que contribui para gerar renda e conservar a floresta amazônica.

Os produtos são desenvolvidos por cientistas que transformam saberes em sabores, como os integrantes da Deveras mesmo definem, sempre promovendo uma relação virtuosa entre os saberes tradicionais e a ciência.

“Para preservar, conservar e desenvolver é preciso conhecer. A Deveras é formada por pesquisadores com PHD em Amazônia, e nosso DNA traz muito fortemente o atuar também com o conhecimento tradicional, que vem das comunidades. São elas que estão na floresta. A gente tem mania de olhar a floresta de cima, mas as pessoas que estão lá embaixo são quem, de fato, faz com que a floresta seja conservada,” conta Valéria Moura, uma das fundadoras da Deveras, bióloga e doutora em biotecnologia que pesquisa plantas e ervas nativas da Amazônia há mais de dez anos.

“A ciência é fundamental porque temos pouco conhecimento da biodiversidade amazônica, e isso traz dificuldade de acesso a mercados. A junção das duas forças vai promover de fato a biodiversidade amazônica”, completa.

Valéria destaca, ainda, a baixa disponibilidade e, até mesmo, dificuldade na elaboração de produtos alimentícios que sejam padronizados e seguros para o mercado. Também fala das poucas oportunidades para melhorar cadeias produtivas e capacitar comunidades locais para o fornecimento dos insumos ou para fabricar produtos para o mercado.

Essas são algumas das lacunas que a Deveras busca preencher.

Paixão pela floresta e por doces

Além de Valéria, também integra a Deveras a bióloga Rosa Mouão, mestre em bioquímica vegetal e doutora em ciências biológicas que coordena o laboratório de Bioprospecção e Biologia Experimental (LabBBEx) da UFOPA (Universidade Federal do Oeste do Pará), pesquisando conhecimentos tradicionais junto às comunidades. E Claudio Monteiro, biólogo e doutor em zoologia.

'Deveras Amazônia' une saber tradicional e ciência em alimentos de sabor único
Dona Dulce, produtora de Vitória-régia parceira da Deveras / Foto: Deveras Amazônia/divulgação

Os três pesquisadores, unidos pela paixão pela floresta e por doces, iniciaram uma produção de geleias, conservas e licores em Alter do Chão, no Pará, na cozinha de um dos fundadores. Em 2019, já em Santarém, montaram uma fábrica. E, desde então, atuam buscando valorizar frutos e ervas nativas da Amazônia pouco conhecidos cientifica e comercialmente.

Os produtos desenvolvidos promovem a sociobiodiversidade amazônica, são naturais, inovadores e geram renda para pequenos produtores locais.

A ciência aplicada ao conhecimento tradicional consegue trazer ao consumidor, por exemplo, um licor de camu-camu que, padronizado em laboratório, mantém 40% do teor de vitamina C mesmo ao final do preparo. Também consegue informar com segurança que a Vitória-régia, usada em conservas e geleias pela Deveras, é rica em polifenóis, taninos e proteínas. Que o açafé, feito a partir do caroço do açaí, é uma bebida funcional rica em antioxidantes.

E apresenta produtos inovadores como o cupulate, feito a partir da amêndoa do cupuaçu torrada e triturada, que pode ser consumido tal qual o chocolate do cacau.

A Deveras atua, hoje, em oito comunidades (entre elas a Comunidade São Domingos, na Floresta Nacional do Tapajós, onde foi tirada a foto que abre este texto), e consegue apoiar a conservação de 300 hectares de floresta, direta ou indiretamente.

A projeção de futuro é que esse impacto positivo siga crescendo e contribua para gerar renda para cada vez mais pessoas, conservar ainda mais a floresta e disseminar os sabores únicos da biodiversidade amazônica. Valorizar os saberes tradicionais e abrir cada vez mais mercados pela conexão da ciência com a tradição.

Quer conhecer um pouco mais sobre a Deveras? Assista ao vídeo em que Valéria e Cláudio contam um pouco mais sobre sua atuação:

Fotos: Deveras Amazônia/divulgação

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