Nascimento de rinoceronte branco em zoo de San Diego é esperança para salvar espécie da extinção

Nascimento de rinoceronte branco em zoo de San Diego é esperança para salvar espécie da extinção

Ele é mesmo uma belezura. E sua chegada está sendo muito celebrada pela equipe do San Diego Zoo Safari Park, nos Estados Unidos. Fruto de inseminação artificial, o filhote de rinoceronte branco do sul nasceu na semana passada, depois de uma gravidez de 493 dias da mãe, Victoria.

É a primeira vez que um rinoceronte branco dessa espécie nasce, através de reprodução em cativeiro, na América do Norte.

“Estamos muito felizes porque mãe e filho passam bem. Ela é muito atenciosa com o filhote, que está mamando com frequência e dando seus primeiros passos”, informou Barbara Durrant, diretora de reprodução do zoológico, em comunicado oficial. “Este nascimento é muito importante porque é mais um passo para tentar salvar da extinção o rinoceronte branco do norte”.

Subespécies: geneticamente similares

Existem cinco espécies de rinocerontes no mundo, três na Ásia (de java, de sumatra, indiano) e duas na África subsaariana (negro e branco). Alguns deles ainda apresentam subespécies, dependendo da região onde são encontrados e algumas pequenas características que os diferenciam.

O pequeno macho nascido na Califórnia pertence a uma subespécie de rinoceronte branco – a do sul -, considerada quase ameaçada de extinção, pois atualmente existem cerca de 18 mil indivíduos livres na natureza.

Muito diferente, entretanto, da outra subespécie de rinoceronte branco, a do norte, a que Barbara se refere: dela só restam duas fêmeas ainda vivas no planeta.

Em março do ano passado, conforme noticiamos aqui no Conexão Planeta, morreu o último macho de rinoceronte branco do norte do mundo. Com 45 anos, Sudan era a esperança derradeira para a reprodução desse rinoceronte africano. Mas doente e sofrendo muito, ele precisou ser sacrificado.

Todavia, pesquisas com inseminação artificial já estão sendo feitas em diversas instituições dos Estados Unidos, Itália, Japão e Alemanha, para que possam existir, pelo menos, dez filhotes de rinocerontes brancos (do sul) nos próximos cinco anos.

Como as duas subespécies – branco do sul e branco do norte -, são muito próximas geneticamente, será mais fácil tentar a reprodução da segunda após bons resultados com a primeira.

“Eles possuem características genéticas únicas, que lhes conferem a capacidade de sobreviver nesta parte da África, onde poderiam novamente viver no meio selvagem”, explica Richard Vigne, CEO da Ol Pejeta Conservancy.

Victoria e seu filhote passam bem no zoo de San Diego

Caça ao rinoceronte: extermínio das espécies

Todas as cinco espécies de rinocerontes estão em risco de extinção. Alguns mais do que outros. É o caso, por exemplo, do rinoceronte negro do leste (Diceros bicornis michaeli), considerado criticamente ameaçado. Em maio, mostramos também que um filhote dessa subespécie nasceu em um zoológico de Chicago.

Por anos e anos, milhares de rinocerontes foram mortos cruelmente na África. Caçadores tiram a vida desses animais para arrancar suas presas e vender o marfim ao mercado asiático, que abastece a crença de que ele possui “poderes medicinais”.  O quilo do chifre é vendido por até 50 mil dólares.

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 Fotos: divulgação San Diego Zoo Safari Park

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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