Morre o último macho de rinoceronte branco do norte do mundo

Morre o último macho de rinoceronte branco do norte do mundo

Ele era o último de sua espécie. Com 45 anos, Sudan era o único macho sobrevivente de rinoceronte branco do norte no planeta. Mas ontem (20/03), a organização do Quênia Ol Pejeta Conservancy anunciou sua morte.

Sudan estava doente, sofrendo de algumas doenças relacionadas com sua idade, que afetavam seus músculos e ossos. No domingo, o rinoceronte não conseguia ficar mais em pé e os veterinários percebendo seu grande sofrimento, decidiram colocá-lo para dormir. O último macho de rinoceronte branco do norte do mundo foi sacrificado.

Agora restam somente sua filha Najin e sua neta, Fatu, as últimas fêmeas da espécie.

No ano passado, Sudan apareceu nas manchetes internacionais quando a Ol Pejeta, em parceria com o aplicativo de relacionamento Tinder, lançou uma campanha para arrecadar dinheiro para a realização de uma inseminação artificial com o esperma do rinoceronte.

Os biólogos da organização fizeram várias tentativas para estimular o acasalamento com outras duas fêmeas, mas nada deu certo. Velho demais para se reproduzir naturalmente, a solução foi tentar uma inseminação in vitro. O problema, entretanto, era o custo: em torno de 9 a 10 milhões de dólares. Por isso, a campanha realizada no Tinder. A iniciativa chamou tanto a atenção dos usuários, que nas primeiras horas depois da postagem do perfil, o aplicativo saiu do ar.

A extinção de uma espécie

Nascido no Sudão, em 1973, Sudan foi capturado dois anos depois e levado para um zoológico na República Tcheca, junto com outros cinco indivíduos da mesma espécie. Em 2009, ele e outros dois machos foram transferidos para uma área de conservação, administrada pela Ol Pejeta, no Quênia. Naquele ano, foi quando declarou-se que os rinocerontes brancos do norte estavam extintos na natureza.

Em 2014, Suni e Angalifu, os outros dois machos sobreviventes da espécie morreram, deixando Sudan como a última esperança de sobrevivência para os rinocerontes brancos do norte.

Existem cinco espécies de rinocerontes, três na Ásia e duas na África subsaariana: de java, de sumatra, indiano, negro e branco. Este último, é dividido em duas subespécies, o branco do norte, como Sudan, e o branco do sul.

No passado, os rinocerontes brancos do norte eram encontrados em regiões de países como Uganda, Congo, Sudão. Eram cerca de 2 mil indivíduos livres na natureza na década de 60. Mas a crescente demanda pelos chifres do animal, usados como medicamento na China, impulsionou a matança da espécie. Nos anos 80, foi decretado que ela era considerada em risco grave de extinção.

Pesquisas com inseminação artifical já estão sendo feitas em diversas instituições dos Estados Unidos, Itália, Japão e Alemanha, para que possam existir, pelo menos, dez filhotes de rinocerontes brancos nos próximos cinco anos. “Eles possuem características genéticas únicas, que lhes conferem a capacidade de sobreviver nesta parte da África, onde poderiam novamente viver no meio selvagem”, explica Richard Vigne, CEO da Ol Pejeta Conservancy.

Em sua página no Facebook, a organização lamentou a morte de Sudan:

“Nos últimos nove anos, Sudan tem sido parte integrante da família Ol Pejeta – e é extremamente difícil lidar com a realidade de que ele se foi para sempre. Ele era profundamente amado por todos, especialmente seus cuidadores, que passavam todos os dias com ele e ficaram muito próximo a ele. Centenas de milhares de pessoas de todo o mundo tiveram encontros inspiradores com  Sudan e seu trabalho como embaixador da conservação é incomparável”.

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Foto: divulgação Ol Pejeta/Glyn Edmunds

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

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