Durante esta quarta-feira (10/11) na Conferência das Nações Unidas para o Clima, a COP26, em Glasgow, na Escócia, 30 países e um grupo de fabricantes de veículos assinaram um compromisso pelo fim da comercialização de carros movidos a combustíveis fósseis – gasolina e diesel -, até 2035 em alguns mercados e 2040 globalmente. Entre os signatários do acordo estão Holanda, Canadá, Reino Unido, Irlanda, Nova Zelândia, Dinamarca, Finlândia, Israel, Noruega, Suécia e Chile.
Todavia, grandes nações e as principais emissoras de CO2 do planeta ficaram de fora: China e Estados Unidos, número 1 e 2 no ranking da poluição por dióxido de carbono, assim como Brasil e Alemanha que se negaram a fazer parte do pacto.
Alguns outros governos sinalizaram que farão esforços para atingir a meta, apesar de não terem assinado o documento. São eles Índia, Quênia, Paraguai, Uruguai, Marrocos, México e Ruanda. Além disso, várias capitais e cidades também se alinharam ao compromisso, entre elas, Londres, Nova York, Atlanta, Buenos Aires, La Paz, Los Angeles e Barcelona. São Paulo aparece na lista.
Uma parte essencial do trato envolve as empresas fabricantes de veículos, já que depende delas a disponibilidade deles no mercado e um preço mais acessível ao consumidor, porque atualmente um carro elétrico custa muito caro. Mercedes, Volvo, Mercedes-Benz e Ford estão entre as companhias que fazem parte do acordo. Esta última, inclusive, já tinha divulgado em março que só venderia carros elétricos e híbridos na Europa a partir de 2026. Entretanto, gigantes como Volkswagen, Toyota e BMW se mantiveram ausentes da negociação.
Apesar da declaração ter sido considerada “histórica”, há grande frustração em relação à não adesão de grandes economias, como a americana e chinesa. Em agosto, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, anunciou uma meta de 50% dos novos carros vendidos país até 2030 serem elétricos. “O futuro da indústria é elétrico e não há mais volta”, disse ele na época, ao lado de fabricantes de veículos e representantes de sindicatos. Entretanto, sabe-se que este será um desafio muito difícil: no ano passado, apenas 2% dos carros comprados por lá eram movidos a bateria.
Diversas empresas e indústrias também se juntaram ao compromisso, liderado pelo governo britânico, e irão trocar sua frota interna de veículos por aqueles de emissão zero. AstraZeneca, Unilever, Uber, Novo Nordisk, GlaxoSmithKline e Ikea são apenas algumas delas.
Atualmente o setor dos transportes é responsável por 1/5 das emissões globais de gases de efeito estufa.
“A COP26 marca o fim do caminho para o motor de combustão interna. Hoje estamos vendo compromissos significativos de fabricantes, investidores, operadores de frotas, países, cidades, estados e regiões. As vozes das pessoas nas ruas nesta COP são muito claras – não há mais tempo para atrasos ou desculpas. Precisamos descarbonizar nossas economias em ritmo e em escala. Aqueles que não estavam à mesa nesse compromisso estão do lado errado da história”, afirma Helen Clarkson, CEO da organização Climate Group.
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