Descobertas cinco novas espécies de rãs em reserva do Espírito Santo

rãs

A região da Reserva Biológica Augusto Ruschi, no Espírito Santo, tem o maior número de anfíbios da Mata Atlântica e também do mundo, acreditam biólogos brasileiros. Por isso mesmo, a área passa por monitoramento constante e muitas pesquisas são realizadas por lá.

Recentemente, cinco novas espécies de rãs foram descobertas na reserva, das quais três estão em processo de descrição. As duas já descritas, em artigo publicado na revista científica PLOS ONE, são Adelophryne glandulata Dendropsophus bromeliaceus.

A descoberta foi realizada pelos pesquisadores Rodrigo Ferreira, da Universidade Vila Velha, e Karen Beard e Martha Crump, da Universidade de Utah. Os três fazem parte do Projeto Bromeligenous, que reúne biólogos e ambientalistas que estudam a ecologia da associação entre anfíbios e bromélias. O objetivo da iniciativa é desenvolver pesquisas com anfíbios e popularizar a ciência na região de Santa Teresa, no Espírito Santo, para assim, estimular a proteção destes animais.

Para tal, o projeto tem promovido atividades de educação ambiental como exposições fotográficas, palestras, bate-papos com a comunidade local, além de distribuição de material educativo e campanhas nas escolas.

A Reserva Biológica Augusto Ruschi é uma unidade de conservação (UC), administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Por que bromeligenous?

Bromeligenous é o termo dado a organismos que têm o ciclo de vida associado à água da chuva acumulada em bromélias. Várias espécies de anfíbios (sapos, rãs e pererecas) colocam seus ovos nessas águas, na qual os girinos se desenvolvem até a metamorfose.

Localizadas na Mata Atlântica, as montanhas do estado do Espírito Santo são habitat de um grande número de anfíbios bromeligenous. Estima-se que existam na região cerca de 543 espécies deles, sendo 88% endêmicos (nativos ou restritos a uma área geográfica específica), o que representaria aproximadamente 7% do número total das espécies de anfíbios conhecidas no planeta. Além disso, o bioma brasileiro é rico em Bromeliaceae (bromélias), com 802 espécies registradas.

Infelizmente, a Mata Atlântica sofre com a ameaça de desmatamento e a consequente perda de habitat para a fauna e flora locais. Além de ser importante para promover a conservação de espécies nativas, o trabalho de biólogos é vital para o entendimento de como estas plantas e animais se adaptam às mudanças do meio ambiente.


Fonte: Projeto Bromeligenous

Foto: divulgação ICM-Bio

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

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