PUBLICIDADE

Na semana em que STF julga marco temporal, Lula reafirma proteção aos povos indígenas e demarcação de terras, na presença de Raoni

A presença do cacique Raoni Metuktire, do povo Kayapó, na cerimônia de celebração pelo Dia Mundial do Meio Ambiente, no Palácio do Planalto – ele integrou o grupo que acompanhou o presidente Lula e a primeira-dama Janja no palco (foto abaixo) – chamou a atenção e foi como um recado do governo brasileiro ao mundo: de que ele está do/ao lado dos povos indígenas.

E as palavras do presidente Lula no discurso que proferiu, logo após o pronunciamento da ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, confirmaram essa impressão. E ainda combinaram muito bem com esta semana em que o Supremo Tribunal Federal (STF) retomará o julgamento do marco temporal, suspenso em 9 de setembro de 2021, quando o ministro Alexandre de Moraes pediu vista (adiamento) pela segunda vez (saiba mais no final deste post).

Proteção e demarcação

Na cerimônia de ontem, depois de reafirmar seu compromisso em combater o desmatamento e retomar a liderança mundial na mitigação das mudanças climáticas, revelar a criação de unidades de conservação e de planos para agricultura de baixo carbono, de prevenção e controle de eventos climáticos extremos e de segurança e soberania para a Amazônia“com o objetivo de combater, sem trégua, crimes como grilagem de terras públicas, garimpo, extração de madeira, caca e pesca ilegais em territórios indigenas” -, o presidente Lula declarou:

A mensagem que estamos passando aos criminosos e ao mundo é muito clara: tolerância zero com a devastação de nosso meio ambiente. E total proteção aos povos indígenas, inclusive com o uso da força quando necessário, e a demarcação do maior número possível de seus territórios. Todo o apoio aos povos da floresta, com incentivos às atividades econômicas sustentáveis”.

PUBLICIDADE
Foto: Ricardo Stuckert/PR

Explicou, ainda, que a retomada do Bolsa Verde, programa de 2013, ajudará o governo a fincar as bases para a criação de “um novo ciclo de desenvolvimento, com sustentabilidade e combate às desigualdades” (assista ao vídeo do Instagram de Lula, que reproduzimos no final deste post).

Um colar de presente

No meio do discurso, Lula foi interrompido pelo cacique Raonique ignorou qualquer protocolo – para receber de uma mulher Kayapó um colar de miçangas que exibe o nome do líder indígena.

O momento inusitado pegou o presidente de surpresa e rendeu lindos registros dos fotógrafos Ricardo Stuckert, da presidência, e Joedson Alves, da Agência Brasil, que reproduzo a seguir.

Foto: Ricardo Stuckert/PR
Foto: Joedson Alves/Agência Brasil
Foto: Ricardo Stuckert/PR

O julgamento: repercussão geral e marco temporal

O julgamento iniciado em 11 de junho de 2021, suspenso e remarcado muitas vezes, foi agendado em maio pela presidente e ministra Rosa Weber (segundo ela, a pedido da ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara) para 7 de junho de 2023, amanhã.

Os ministros julgarão pedido de reintegração de posse requerido pelo Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA) de área ocupada pela Terra Indígena Ibirama-Laklãnõ do povo Xokleng, localizada a 236 km de Florianópolis, Santa Catarina.

Como o julgamento é considerado pelo STF como de repercussão geral, o resultado valerá para todos os casos de demarcações de territórios indígenas em todo o país

Dentro desse processo, também será analisada a determinação do ministro Edson Fachin (maio de 2020), de suspender os efeitos do Parecer 001/2017 da Advocacia-Geral da União (AGU), norma que oficializou a tese jurídica do marco temporal.

Tese elaborada pelos ruralistas, o marco temporal é defendido no PL 490, aprovado pela Câmara dos Deputados na semana passada, que agora está no Senado, onde recebeu nova numeração (agora é PL 2903) mas o conteúdo nefasto é o mesmo e está sob consulta pública no site do Senado. Participe!

Caso o STF julgue o pedido do governo de Santa Catarina improcedente, o PL será arquivado, sem necessidade de votação no Senado.

Agora, assista ao vídeo gravado durante discurso de Lula no qual ele fala de seu compromisso na proteção aos povos indígenas e na demarcação de terras:

Comentários
guest

0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários
Notícias Relacionadas
Sobre o autor