Flórida investirá U$ 400 milhões em corredores de vida selvagem para proteger animais em risco de extinção

Flórida investirá U$ 400 milhões em corredores de vida selvagem para proteger animais em risco de extinção, como a pantera

Pelo menos por uma vez, políticos de partidos adversários se uniram em prol de uma boa causa. Ou melhor, excelente. Recentemente, parlamentares do estado da Flórida, nos Estados Unidos, tanto de direita como de esquerda, aprovaram, por unanimidade (150 votos), um projeto de U$ 400 milhões para proteger a vida selvagem no estado, através do Florida Wildlife Corridor Act.

O dinheiro será utilizado para a implantação de corredores que facilitem a travessia de animais em áreas de conservação e também, a preservação da flora local. A fragmentação de habitats e seu impacto sobre os ecossistemas da Flórida colocam em risco a sobrevivência de aproximadamente 130 espécies da fauna, entre elas, ursos, veados, peixes-bois, tartarugas marinhas e a pantera, o último grande felino da costa leste americana.

Para uma espécie animal deixar de ser considerada ameaçada de extinção, como é o caso da pantera da Flórida, é preciso que existam diversas populações (grupos), em habitats grandes o suficientes para que elas possam se reproduzir e sobreviver.

Todavia, atualmente na Flórida há apenas uma população de panteras, com cerca de 230 indivíduos. E isso já é um avanço. A espécie foi praticamente extinta no passado, chegando a ter apenas algumas dezenas. Até que, em 1973, a pantera foi incluída na Lista de Espécies Ameaçadas dos Estados Unidos.

O Corredor de Vida Selvagem da Flórida terá aproximadamente 6 milhões de hectares. Grande parte desta área já está em áreas protegidas, o restante pertence a fazendas e ranchos, que são cortados por rios e riachos, muito importantes para a manutenção de espécies aquáticas.

Pela nova lei, que precisa ainda da aprovação final do governador Ron DeSantis, mas que se espera o sinal positivo dele também, U$ 100 milhões serão usados pelo programa “Florida Forever” para a compra de áreas destinadas à conservação e também, para recreação.

Assim como outras espécies ao redor do mundo todo, entre as principais ameaças enfrentadas pela pantera no estado americano estão a perda de habitat, devido à expansão de centros urbanos, e atropelamentos.

Curiosidades sobre a pantera da Flórida

– A pantera (Puma concolor coryi) é uma das duas espécies de felinos selvagens encontradas na Flórida. O lince (Lynx rufus) é a outra;
– Panteras podem saltar mais de 4 metros e podem correr 55 km por hora em curtas distâncias;
– Os machos pesam entre 45 e 70 kg e podem ter 2,10 metros de comprimento. Suas caudas podem ter quase dois terços do comprimento do corpo;
– Ao nascer, os filhotes pesam pouco mais de 200 gramas. Isso é menos do que um gato doméstico com um mês de idade;
– Porcos selvagens, veados-de-cauda-branca e guaxinins constituem 70% da dieta de uma pantera;
– Apenas 12 a 20 panteras existiam no início dos anos 1970 na Flórida.

Flórida investirá U$ 400 milhões em corredores de vida selvagem para proteger animais em risco de extinção, como a pantera

Graças a esforços de conservação, hoje o número de panteras na Flórida chega a pouco mais de 200. Na década de 70, eram aproximadamente 20

Fonte: The Nature Conservancy

*Com informações do jornal The Guardian

Leia também:
Pantera negra é flagrada em registros raros (e belíssimos) no Quênia
O amor está no ar: Flórida alerta moradores sobre época de acasalamento de jacarés
Flórida registra número recorde de mortes de peixes-bois
Infestação de algas tóxicas está matando vida marinha na Flórida

Fotos: reprodução The Nature Conservancy/© Mark Conlin/Tallahassee Natural History Museum (abertura) e © William Freund/TNC Photo Contest 2018 (preto e branco)

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

Deixe uma resposta