Flórida registra número recorde de mortes de peixes-bois

Flórida registra número recorde de mortes de peixes-bois

Existem quatro espécies de peixes-bois no mundo e uma delas, a Trichechus manatus, sempre foi muito comum nas águas do estado da Flórida, nos Estados Unidos. Apesar disso, ela é considerada ameaçada de extinção. Depois de décadas com números em declínio, principalmente na década de 90, a população da espécie voltou a se recuperar durante alguns, todavia, nos últimos anos, especialistas demonstram preocupação novamente.

Desde o último dia 1o de janeiro, mais de 430 peixes-bois já apareceram mortos na Flórida, um número recorde para este período em comparação aos últimos dez anos.

De acordo com dados divulgados pela organização Public Employees for Environmental Responsibility (PEER), o levantamento de peixes-boi feito no estado, em 2017, apontava um número de 6.620 indivíduos. Dois anos depois, em 2019, no último censo feito até agora, percebeu-se uma queda: foram contabilizados 5.733 animais.

Um dos motivos que pode ter causado a alta mortalidade dos peixes-bois foi o frio intenso que atingiu a Flórida (e outros estados americanos, tipicamente quentes, como o Texas) em fevereiro. Esses mamíferos aquáticos são muito vulneráveis às mudanças climáticas, como, por exemplo, alterações bruscas de temperatura e a acidificação da água do oceano.

“A Flórida pode estar entrando em uma crise de extinção do peixe-boi”, afirma Tim Whitehouse, diretor da PEER. “Com a mudança climática e a competição entre os peixes-boi por água quente e áreas limitadas de forrageamento, os ganhos recentes na população de peixes-boi estão sendo rapidamente revertidos”, ressaltou.

Além das alterações no clima do planeta, o ser humano continua sendo uma das principais ameaças a esses mamíferos.

“Perda de habitat, colisões de barcos, falta de áreas de forrageamento e marés vermelhas tóxicas são as três principais causas de mortes de peixes-boi e todas estão dentro de nossa capacidade de serem evitadas”, diz Jerry Phillips, outro colaborador da PEER.

Em 2018, biólogos já tinham feito outro alerta sobre a situação. Naquele ano, como escrevi nesta outra reportagem, centenas de peixes-bois apareceram sem vida. Entre as suspeitas estavam frente fria, atípica, que ocorreu na Flórida no começo daquele ano (como agora em 2021) e a proliferação em massa de uma alga vermelha tóxica.

Com cara arredondada, olhos pequenos e corpo roliço, estes animais podem ter sua cor variando entre cinza e marrom-acinzentado. Não possui orelhas, mas escuta muito bem. Os ouvidos são dois pequenos orifícios, localizados um pouco atrás dos olhos.

Extremamente dócil, o peixe-boi é um gigante das águas. Pode chegar a pesar 600 quilos e medir até quatro metros de comprimento.

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Foto: NOAA/unsplash

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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