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Principal atração de festival literário, Greta cancela participação porque fundo patrocinador investe em combustíveis fósseis

Principal atração de festival literário na Escócia, Greta cancela participação porque fundo patrocinador investe em combustíveis fósseis

Greta Thunberg seria a principal atração do Edinburgh International Book Festival, que começa amanhã na capital da Escócia, um dos principais eventos literários do mundo. Com a participação de milhares de ativistas pelo clima, a jovem sueca daria uma bastante aguardada palestra. Daria.

Apesar de todos os ingressos para sua palestra estarem esgotados, na semana passada Greta anunciou que estava cancelando sua participação no festival de Edinburgo. A razão? Um fundo patrocinador do evento investe em combustíveis fósseis, como por exemplo, a empresa brasileira Petrobras – a mesma que quer explorar petróleo na foz do rio Amazonas.

“Infelizmente, não posso comparecer ao Festival do Livro de Edimburgo. Como ativista do clima, não posso comparecer a um evento que recebe o patrocínio de Baillie Gifford, que investe pesadamente na indústria de combustíveis fósseis. Os esforços de greenwashing da indústria de combustíveis fósseis, incluindo o patrocínio a eventos culturais, permitem que eles mantenham a licença social para continuar operando. Não posso e não quero ser associada a eventos que aceitem esse tipo de patrocínio”, disse Greta em um comunicado.

Segundo uma reportagem do jornal investigativo escocês The Ferret, a Baillie Gifford investe dinheiro em nome de seus clientes em diversas áreas, entre elas, “2% em empresas que obtêm suas receitsa de atividades relacionadas a petróleo e gás”. Todavia, financia também companhias que trabalham com energias renováveis.

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Em nota, a Baillie Gifford reiterou que seu investimento no setor fóssil é mínimo.

“Atualmente 5% do dinheiro de nossos clientes é investido em empresas cujo único objetivo é desenvolver soluções de energia limpa”, alega o fundo.

Nick Barley, diretor do Festival Internacional do Livro de Edinburgo, declarou que entende o posicionamento de Greta, entretanto, defendeu o patrocínio do fundo da Baillie Gifford.

“Embora esteja desapontado por Greta não se juntar a nós no dia 13 de agosto, respeito totalmente sua decisão. Compartilho da visão de Greta de que em todas as áreas da sociedade o avanço do progresso [na luta contra a crise climática] não é suficiente. No entanto, ao aplaudir Greta por defender seus princípios, nós também devemos defender os nossos”, afirmou ele. “O Festival do Livro existe para fornecer uma plataforma de debate e discussão sobre questões-chave que afetam a humanidade hoje – incluindo a emergência climática. Como uma organização sem fins lucrativos, não estaríamos em posição de fornecer essa plataforma sem o apoio de longo prazo de organizações como a Baillie Gifford”.

No ano passado, Greta lançou o “The Climate Book”, “O Livro do Clima”, publicação da editora Penguin com a colaboração de mais de 100 cientistas, pesquisadores, economistas e outros especialistas no tema do mundo inteiro. Entre os co-autores estão nomes como Naomi Klein, Thomas Piketty, Margaret Atwood, Michael Oppenheimer e também três brasileiros: o climatologista Carlos Nobre, a pesquisadora Nathália Nascimento e a agora ministra dos Povos Indígenas Sônia Guajajara (leia mais aqui).

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Foto de abertura: divulgação

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