‘Amazônia 4.0’, baseado em projeto de Carlos Nobre, vence prêmio de melhor documentário em festival europeu

Amazônia 4.0 é o nome do projeto idealizado pelo climatologista Carlos Nobre, pesquisador sênior do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (USP) – na companhia de pesquisadores e especialistas de áreas diversas –, com o intuito de mostrar que é possível desenvolver a economia local mantendo a floresta em pé: aliando novas tecnologias, o potencial biológico e os conhecimentos tradicionais, respeitando as comunidades locais.

Este projeto serviu de inspiração para Ricardo Assumpção e Ione Anderson (abaixo), respectivamente CEO e COO da Plataforma Grape ESG, ao idealizarem e produzirem o documentário Amazonia 4.0 – The Reset Begins, dirigido por Alan Teixeira, lançado no final de abril e que acaba de ser premiado.

'Amazônia 4.0 - The Reset Begins' vence prêmio de melhor documentário em festival europeu
Foto: Divulgacao/Grape ESG

A intenção dos executivos era criar uma obra capaz de ajudar a aumentar a conscientização do público, não só brasileiro como internacional, sobre as principais questões em torno da sustentabilidade da Amazônia, “de forma a beneficiar os guardiões da floresta, os povos indígenas e os habitantes tradicionais como os ribeirinhos, bem como as populações urbanas”.

Para tanto, ainda incluiram no roteiro informações do artigo publicado no The New York Times, em 2 de outubro de 2020, por Carlos Nobre e Bruno Carvalho (especialista em Urbanização na referida publicação).

“Temos que zerar o desmatamento! E isso é possível!”

Carlos Nobre tem papel de protagonista no documentário de 25 minutos de duração, que você pode assistir no final deste post.

Ele inicia sua apresentação falando da origem da sanha desenvolvimentista entranhada na economia da América do Sul, relata, de forma muito clara e didática, os riscos e as ameaças que a maior floresta tropical do mundo sofre diariamente e o que sua destruição representa para o mundo. Sempre vale ouvi-lo.

Foto: Divulgação Volvo Environmental Prize 2016

“É possível encontrar um novo modelo de desenvolvimento que traga justiça social, desenvolvimento econômico, mas que mantenha a floresta amazônica, que mantenha seus recursos, para evitar o ponto de não retorno com a savanização e, urgente, zerar o desmatamento“, alerta.

E acrescenta: “Nós temos registrado um aumento muito preocupante do desmatamento nos últimos dois anos. Temos que zerar o desmatamento em cinco anos! E é possível, sim! E ainda restaurar grandes áreas degradadas. Tivemos um exemplo muito bem sucedido de redução entre 2004 e 2014 – 73%! – com políticas públicas muito efetivas, com fiscalização, coibindo a ilegalidade”.

Depois de comentar o perigo de savanização, não só da Amazônia como da Mata Atlântica na região de Foz do Iguaçu, Nobre sentencia: “A Amazônia é essencial para a estabilidade climática e ecológica do planeta Terra”. E finaliza assim:

“Nosso papel é tornar a Amazônia a primeira potência socioambiental da biodiversidade. Os povos indígenas vivem há 12 mil anos na Amazônia com a floresta em pé e promovendo o bem-estar a partir dos recursos da floresta. Temos, então, que criar algo novo como combinar os conhecimentos tradicionais com os modernos conhecimentos científicos e desenvolver essa nova bioeconomia”.

O filme permeia as falas de Nobre com depoimentos de outros especialistas (como Nicole Schwab, codiretora da plataforma para acelerar soluções baseadas na natureza do Fórum Econômico Mundial e brasileiros como Mercedes Bustamante, professora da UNB que acaba de ser eleita membro da Academia de Ciências dos EUA, Luiz Fernando Furlan e o CEO da Grape ESG) e imagens belas e contundentes da floresta.

Melhor Documentário do Prêmio Especial do Júri

Amazonia 4.0 – The Reset Begins foi lançado em 22 de abril, Dia da Terra – coincidindo também com a Cúpula dos Líderes sobre o Clima, convocada pelo presidente dos EUA, Joe Biden – e inscrito no Europe Film Festival UK, na sessão online realizada em abril, em Londres.

O júri aprovou! E o filme venceu como Melhor Documentário na categoria Prêmio Especial do Júri, recebendo o Laurel do Europe Film Festival UK e um certificado especial. E, assim, se qualificou para participar da cerimônia principal do festival.

Parabéns para Alan, Ione, Ricardo e Carlos Nobre!!

Cartaz do filme já com a chancela de Melhor Documentário
do Europe Film Festival, do Reino Unido

O Europe Film Festival UK é composto por uma competição mensal e um festival anual realizado uma vez por ano. Em 2012, os encontros mensais contemplam quatro categorias: Prêmios Principais, Prêmios do Júri, Prêmios Especiais do Júri e Prêmios do Júri Diamante. E o júri reúne cineastas de Londres, Amsterdã, Istambul, Munique e Zurique, que analisam curtas e longas-metragens.

Agora, assista ao documentário, disponível em duas versões: com e sem legendas em português.

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Fotos: Carlos Nobre e floresta (reproduções do documentário), Ricardo Assumpção e Ione Anderson (divulgação)

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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