‘Onça Queimada’: Mundano ‘redesenha’ a nota de 50 reais, leiloa a obra e doa o valor para a SOS Pantanal

Na semana passada, revoltado com a destruição do Pantanal e a morte de tantos animais devido aos incêndios, o artivista Mundano fez uma releitura da cédula de 50 reais, que estampa uma onça pintada e circula desde julho de 1994, quando o Plano Real substituiu a moeda em vigor.

Este é mais um forte protesto do artista, que está sempre engajado em causas sociais e ambientais. Ele substituiu a onça da nota original por uma reprodução da imagem de Amanaci, uma das onças encontradas com as patas queimadas e que foi tratada com células tronco, como contamos aqui no site.

A obra recebeu o nome de Onça Queimada e se juntou a outras releituras feitas pelo artista para sua série Releituras Mundanas.

“Esta obra é um grito de basta para os incêndios que já consumiram 12% desse bioma único no mundo. Já são mais de 2,3 milhões de hectares de ‘Queimadas Reais‘”, declarou o artista. “Chega de autodestruição e de ‘passar a boiada’! Chega de achar normal o presidente do país ignorar a realidade e declarar, hoje, que ‘está tudo bem, o Brasil é o país que mais preserva o meio ambiente!’“ (atualizando os dados, até agora, 20/9, foram queimados 19% do Pantanal, como noticiamos).

Mas Mundano não parou aí. No sábado, 19/9, leiloou a pintura (que ganhou verso engajado também, veja abaixo) durante 24 horas no Instagram. E, assim, transformou a releitura completa em uma forma de colaborar com as campanhas em prol das ações de combate aos incêndios e de resgate dos animais feridos, como também para alimentar os que não foram atingidos pelo fogo, mas podem morrer de fome e de desidratação. Não só: para incentivar doações diretas à ONG, o que muita gente que não pode participar do leilão, fez:

Os lances chegaram a R$ 2.300 com Angelica Walker e o valor total será doado para a ONG SOS Pantanal, que atua na arrecadação e distribuição de recursos para apoiar voluntários, brigadistas e organizações que trabalham na linha de frente nos incêndios. Essa organização está entre as que indicamos na matéria Como ajudar o Pantanal.

Nota do Pantanal: o protesto do Greenpeace

Hoje, 20/9, o Greenpeace Brasil também divulgou uma releitura para a nota de 50 reais (abaixo), em seu Instagram, batizando-a de Nota do Pantanal. E justificou assim:

“Um bioma inteiro ameaçado de extinção. Essa é a imagem da nota de R$ 2,3 milhões que criamos hoje. O valor da #NotaDoPantanal é o número de hectares destruídos no #PantanalEmChamas até agora. Vamos mostrar o real valor do descaso com meio ambiente”.

Como comentei acima, a quantidade de hectares queimados já ultrapassa 2,9 milhões de hectares, cerca de 19% do bioma.

Outras releituras de Mundano

Com a lama tóxica da Vale – que foi buscar em Brumadinho, no rio Paraopeba – Mundano produziu tintas e criou a série Releituras Mundanas, com a qual já recriou quadros famosos como o Abapuru, de Tarsila do Amaral, e O Mestiço, de Cândido Portinari.

A série inclui Guernica, Monalisa, ou melhor, Mundalisa, O Grito, de Edward Munch, transformado em O Grito da Pandemia. O megafone, símbolo de sua luta, está em todas as obras.

Com tinta dessa lama, Mundano ainda pintou um painel gigante no centro da cidade de São Paulo, próximo do Mercado Municipal da Cantareira, no qual recriou a obra Operários, de Tarsila do Amaral. Os operários são os moradores de Brumadinho, vítimas da ganância da Vale.

Com o óleo do maior vazamento da história do país – que completou um ano no início deste mês, sem solução – e contaminou mais de 1013 praias, ele recriou a obra A Grande Onda de Kanagawa, do gravurista japonês Hokussai, de 1830. Chamou-a de A Grande Onda de Óleo do Nordeste.

Sua última obra, antes da Onça Queimada, foi feita para marcar o 7 de setembro: uma releitura do famoso quadro Independência ou Morte, de Pedro Américo, numa homenagem ao líder indígena Aritana Yawalapiti, que morreu no início de agosto vítima da Covid-19.

Vale muito acompanhar o artivista em suas redes sociais: Instagram e Facebook.

Ilustração: Mundano

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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