Onça-pintada, que teve quatro patas queimadas em incêndio no Pantanal, volta a caminhar após tratamento com células-tronco

Onça-pintada, que teve quatro patas queimadas em incêndio no Pantanal, volta a caminhar após tratamento com células-tronco

No dia 17 de agosto, em meio aos incêndios que devastam o Pantanal, uma onça-pintada foi resgatada, em uma casa, na região de Poconé, por equipes do Corpo de Bombeiros do Mato Grosso. A fêmea teve queimaduras de terceiro grau nas quatro patas.

Em estado grave, a onça-pintada foi levada de helicóptero para o Centro de Medicina e Pesquisa de Animais Silvestres (Cempas), da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). De acordo com os médicos veterinários, além das queimaduras, o animal também deve ter inalado fumaça das queimadas.

Batizada com o nome de “Amanaci” foi transferida, no dia 21 de agosto, para o Instituto de Preservação e Defesa dos Felídeos da Fauna Silvestre do Brasil em Processo de Extinção (Nex), em Corumbá do Goiás.

Amanaci foi colocada em quarentena, em um recinto, isolada no meio da mata, para ajudar a reduzir o nível de estresse. O distanciamento dos seres humanos acalmou a onça, que começou a se alimentar e ficou mais calma.

Mas segundo o veterinário Thiago Luczinski, as patas continuavam em carne viva e em duas delas, era possível avistar o tendão.

A onça foi submetida então a aplicações de células-troncos. Até agora, já foram realizadas três e de acordo com Luczinski, o resultado tem sido promissor. “Ela está muito bem, bem mais ativa do que estava. Está se alimentando bem, voltou a caminhar, levanta com as quatro patas, apesar de estar com as botas, ela troca os passos sem problema algum e não arrasta as patinhas”, afirmou em entrevista ao portal de notícias G1.

As células-tronco ajudam no processo de cicatrização das feridas. Amanaci segue com outros medicamentos, entre eles, antibióticos, para evitar dor e infecções no local das feridas.

O uso de células-tronco em animais é um procedimento realizado em diversas parte do mundo. Especialistas garantem que é um tratamento seguro e com diversos benefícios, com alto poder terapêutico (leia mais sobre o assunto neste artigo científico, em inglês).

Onça-pintada, que teve quatro patas queimadas em incêndio no Pantanal, volta a caminhar após tratamento com células-tronco

As células-tronco injetadas em Amanaci foram retiradas de outra onça-pintada, tratada anteriormente no Instituto Nex. As aplicações devem continuar até que as áreas que sofreram queimaduras estejam totalmente cicatrizadas. Ainda não há previsão, entretanto, de quando a onça-pintada poderá receber “alta” e ser devolvida para a natureza.

Mas uma excelente notícia é que, desde que chegou ao instituto, ela já ganhou 4 kg.

Milhares de brasileiros torcem pela sua recuperação, juntamente com os médicos veterinários e cuidadores que estão perto dela. “Para a equipe do Nex, é um privilégio poder cuidar da Amanaci e testemunhar a sua força, coragem e vontade em viver!”, escreveram nas redes sociais.

Em tupi-guarani, Amanaci significa a “deusa das chuvas”. Chuva é tudo o que o Pantanal precisa neste momento tão difícil, em que outras centenas de animais têm sido feridos e perdido a vida para o fogo.

*Com informações da página do Facebook da Nex

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Fotos: divulgação Nex/

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

2 comentários em “Onça-pintada, que teve quatro patas queimadas em incêndio no Pantanal, volta a caminhar após tratamento com células-tronco

  • 15 de setembro de 2020 em 8:37 AM
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    O Brasil já há muito, deveria estar muito bem preparado para essas grandes queimadas na Amazonia e no oeste onde se inclui o pantanal. O exercito deveria ter duas Brigadas complwtamente equipadas para prevenção, controle e extinção de incêndios. As perdas em cada evento destes, são irreparáveis para a vida animal principalmente. Sem aumentar efetivo, transfere-se efetivos ociosos de grandes cidades para unidades de infantaria nessas regiões e usa-se aqueles efetivos acostumados na região para comporem as tais Brigadas. Essas unidades contarão com aviões, helicópteros, tratores,, drones etc, alem de um efetivo bem treinado.

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  • 15 de setembro de 2020 em 2:56 PM
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    Fico emocionado de ver esses guerreiros ajudando essa criatura tão magnífica. Obrigado por serem grandes seres humanos!

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