Nascimento de muitos filhotes de raríssima ave na Nova Zelândia traz esperança para recuperação da espécie

Nascimento recorde de filhotes de raríssima ave na Nova Zelândia traz esperança para recuperação da espécie

Os filhotinhos fofos acima são da ave Kakī (Himantopus novaezelandiae), uma espécie nativa da Nova Zelândia, e que foi praticamente extinta. No começo da década de 80, restavam apenas 23 delas. Quarenta anos depois, graças a esforços de conservação, sua população hoje é de cerca de 170 indivíduos. E para alegria dos pesquisadores do Kakī Recovery Programme, no final de dezembro nasceu um número altíssimo de filhotes: 18.

Os ovos foram coletados da natureza e de cativeiro antes de serem incubados artificialmente pela equipe do centro de reprodução de Twizel. Agora, após a eclosão, os filhotinhos estão sendo alimentados manualmente e só serão liberados na natureza, na reserva da Bacia de Mackenize, quando tiverem aproximadamente nove meses.

“Os filhotes são criados em grupos de quatro a sete. Todas as manhãs eles são pesados e sua chocadeira é limpa. Eles são extremamente bagunçados!”, brinca Liz Brown, gerente do projeto de conservação dos Kakī. Ela revela ainda que os novos moradores do local são alimentados três vezes ao dia e autorizados a entrar em um pequeno aviário se o tempo estiver quente o suficiente. “A equipe monitora os pintinhos em busca de sinais de mal-estar, pois eles são jovens e suscetíveis a infecções bacterianas que requerem tratamento com antibióticos”, diz.

As aves Kakī têm pernas longas e vivem perto da beira d’água, em leitos de rios, córregos e pântanos, onde se alimentam. Uma de suas curiosidades é que nascem com penas coloridas, que mesclam branco, marrom e preto. À medida que crescem, até cerca de um ano e meio, predominam os tons de branco e preto, mas quando se tornam adultas, a pelagem vira totalmente negra.

Os Kakīs são considerados pelo povo Māori como uma espécie “taonga”, um tesouro vivo.

Nascimento de muitos filhotes de raríssima ave na Nova Zelândia traz esperança para recuperação da espécie

Um jovem Kakī, com cerca de 18 meses, quando ainda tem as cores branca e preta

Apesar da recuperação de sua população, essas aves ainda são consideradas criticamente em risco de extinção. Entre suas principais ameaças estão espécies invasoras, principalmente pequenos mamíferos, que foram introduzidos na Nova Zelândia por colonizadores, como gatos selvagens e furões.

A perda de habitat, provocada pela construção de hidrelétricas e a expansão agropecuária, também contribui para o seu desaparecimento.

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Um indivíduo adulto: forrageando no pântano

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Fotos: Liz Brown|DOC (duas primeiras), Sabine Bernert© (ave jovem) e Ben Weatherley (última imagem, ave adulta)

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

Um comentário em “Nascimento de muitos filhotes de raríssima ave na Nova Zelândia traz esperança para recuperação da espécie

  • 27 de janeiro de 2022 em 7:49 AM
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    Que esses bebês se fortaleçam para voar bem alto, de preferência longe da espécie humana, que não está valendo quanto pesa.

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