Censo em North Island revela aumento na população de kiwi, ave símbolo da Nova Zelândia, ameaçada de extinção

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Em 2019, os neozelandeses celebraram muito o nascimento do 2000o kiwi, ave símbolo do país, que infelizmente, está em risco de extinção. A eclosão aconteceu no National Kiwi Hatchery Aotearoa, um centro de conservação, responsável por encubar os ovos das aves da espécie em North Island. A expectativa era tanta para a chegada do novo filhotinho, que o “evento” foi transmitido ao vivo, pela internet.

Dois anos depois, uma nova boa notícia chega da região. Um censo realizado em dezembro de 2020, com a ajuda de 150 voluntários, revelou um aumento na população de kiwis em North Island, uma das últimas áreas onde esses animais podem ser observados livres, na natureza. Coordenado pela organização Kiwi Coast, o monitoramento é auditivo, ou seja, registra-se a vocalização da ave. E notou-se que, em muitos lugares onde não era ouvido o som delas, em 2016, agora estavam cheios dos gritos agudos dos machos e dos rosnados mais baixos das fêmeas.

Batizado de “Kiwi Call Count”, o censo apontou um crescimento de 50% no número de locais onde atualmente os kiwis podem ser ouvidos.

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Um kiwi adulto

Nativo da Nova Zelândia, o kiwi é peludo, tem um bico longo, não possui asas e por essa razão, não voa, e tem os sensos do tato, audição e olfato extremamente apurados.

Antes dos exploradores desembarcarem no país, estima-se que havia milhões dessas aves. Todavia, em 1998, a população já tinha caído para menos de 100 mil, e em 2008, esse número diminuiu ainda mais, cerca de 70 mil. Hoje acredita-se que restem 68 mil kiwis e há um perda, anual, de 3% de indivíduos.

Um dos principais problemas enfrentados pela espécie é que, de cada 100 ovos de kiwi depositados em tocas na floresta, apenas cinco filhotes chegarão à idade adulta. Seu principal predador é o furão, mas nos dias atuais, cães e gatos domésticos também se tornaram ameaças. Em média, 27 kiwis são mortos por predadores toda semana, com essa taxa, especialistas temem que a ave pode ser extinta ainda em nossa geração.

Por isso, o trabalho realizado por centros de conservação, como o National Kiwi Hatchery Aotearoa, é tão importante. Nesses locais, com o cuidado de especialistas, a taxa de sobrevivência dos filhotes aumenta em 65%.

Quem é o kiwi?

Existem cinco espécies de kiwi: Great Spotted, Okarito Brown (Rowi), Tokoeka, Little Spotted e North Island Brown. Todas elas estão em risco de extinção – uma mais do que outra. A mais rara é a Rowi, encontrada apenas em uma pequena área da Ilha Sul, que conta com menos de 400 indivíduos.

Kiwis são aves muito especiais. Os biólogos explicam que elas têm hábitos tão diferentes porque, durante milhões de anos, viveram em um ambiente sem mamíferos, como em nenhum outro lugar da Terra.

Talvez por não ter disputado espaço com eles, puderam se adaptar livremente no chão e desenvolver características inusitadas para outras aves, como por exemplo, ter pernas pesadas e musculosas, que compõem quase um terço do seu peso: perfeito para uma vida passada no solo.

Os kiwis cavam tocas para seus ninhos, algo que associamos mais a ratos e outros mamíferos terrestres do que a aves. E os ovos que eles depositam são enormes, quase 20% do seu peso corporal, proporcionalmente um dos maiores de todos os pássaros.

Confira abaixo outras curiosidades sobre a ave símbolo da Nova Zelândia:

  • Os kiwis já nascem com todas as penas e se alimentando sozinhos, incomum para aves;
  • Dormem em pé;
  • Correm tão rápido quanto um humano se são ameaçados;
  • Possuem quatro dedos em um pé grande e acolchoado parecido com dinossauro, perfeito para andar sem fazer muito barulho;
  • As penas são bagunçadas, parecem com um fio de cabelo grosso, e possuem bigode como os gatos;
  • A temperatura corporal é maior que da maioria das aves, se aproximando mais dos mamíferos;
  • As mães trabalham muito, colocando mais de 100 ovos ao longo da vida – cada um equivalendo a 20% do peso corporal dela (comparando aos humanos, o bebê nasce com apenas 5% do peso da mãe).

*Com informações do WWF New Zealand. The Guardian do Turismo da Nova Zelândia

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Fotos: reprodução National Kiwi Hatchery Aotearoa

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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