Grupos de consumo responsável promovem relações éticas e transparentes

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Você já ouvir falar em grupos de consumo responsável? Eles buscam construir estratégias de compra e venda baseadas em relações mais éticas e transparentes entre produtores, vendedores e consumidores. Pessoas que decidem se organizar para comprar produtos de modo diferente do mercado convencional, também com o objetivo de ter acesso a produtos com qualidade nutricional, produzidos em um sistema que respeite as pessoas e o meio ambiente.

Os impactos socioambientais causados pelos nossos padrões de produção e consumo são nossos conhecidos e vêm sendo percebidos por parte da sociedade, ao mesmo tempo em que novas posturas de consumo despertam. Mas os grupos de consumo responsável não são recentes.

Levantamento do Instituto Kairós aponta que alguns pesquisadores situam o surgimento do chamado cooperativismo de consumo no século XIX, na Inglaterra, como uma das primeiras manifestações dos trabalhadores contra a exploração dos empregadores.

Durante décadas, essa forma de organização serviu como alternativa para o abastecimento de pessoas em diferentes partes do mundo, até ser substituída, em parte, pelos modelos de super e hipermercados, já na primeira metade do século XX, junto com o desenvolvimento da publicidade associada à venda.

Esse instituto tem promovido o levantamento e o acompanhamento de grupos de consumo responsável no Brasil, além de incentivar o encontro e o intercâmbio dos mesmos. O estudo Organização de Grupos de Consumo Responsável, de sua autoria, aponta 22 iniciativas no Brasil que declararam realizar (ou ter realizado até 2010) compras coletivas com critérios solidários e/ou agroecológicos, localizadas em vários estados: Goiás, Rio Grande do Norte, São Paulo, Espírito Santo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Ceará, Rio de Janeiro, Bahia e Mato Grosso.

Esse levantamento, de 2011, revelou também que a maioria das iniciativas faz parte do movimento de economia solidária ou se identifica com seus princípios. O sistema adotado é o de gestão descentralizada e democrática, valorizando e priorizando a relação direta entre produtores e consumidores. Costumam ter um espaço físico onde os consumidores retiram as mercadorias e, em alguns casos, realizam entregas a domicílio. Os maiores desafios estão relacionados à logística, viabilidade econômica e mobilização de consumidores.

Hoje, existe no Brasil uma Rede Nacional dos Grupos de Consumo Responsável, que realizou três encontros. O último deles, em agosto de 2015 no estado de São Paulo, que contou com a presença dos 22 grupos. Nesses encontros acontecem debates e trocas de experiência sobre os desafios e conquistas ao longo do tempo.

A Cooperativa Eita, sobre a qual já falei aqui no Conexão, trabalha no desenvolvimento de um portal sobre consumo responsável e também no aplicativo Responsa, desenvolvido em parceria com o Instituto Kairós, cujo foco é estimular debates a respeito da relação das pessoas com o consumo responsável. Isso contribui para que elas possam encontrar outras pessoas e refletir sobre o assunto, lançar desafios, responder às perguntas umas das outras, ir juntas à feiras, lojas, centrais de consumo responsável.

Funcionamento

O levantamento do Instituto Kairós classifica os grupos de consumo responsável em dois tipos de rede:
singulares: após serem colhidos ou produzidos, os produtos são transportados dos produtores até o local da gestão geral do grupo de consumo, que funciona como um ponto de retirada para os consumidores e
capilares: após serem colhidos ou produzidos, os produtos são transportados dos produtores até uma central de logística e distribuídos aos grupos de consumo, que funcionam como pontos de retirada para os consumidores.

As redes capilares estão localizadas em capitais de grandes centros urbanos como São Paulo e Rio de Janeiro e as redes singulares em cidades menores.

A maioria dos grupos de consumo trabalha com pedidos antecipados, garantindo venda certa para o produtor. Existem também experiências em que se trabalha com compra direta no ponto de comercialização, em estruturas fixas – lojas ou estruturas intermitentes – ou organização de feiras. Os grupos costumam cobrar porcentagem sobre o preço dos produtores para cobrir custos com transporte, estrutura e remunerar o trabalho da gestão.

Publicação lançada em 2015 – Criando um Grupo de Consumo Responsável – um passo a passo para começar – atualiza os dados sobre o trabalho realizado pelo Kairós em 2011. Essa nova versão lança um olhar mais cuidadoso para a prática, apresentando questões concretas envolvidas na organização dos grupos e alternativas para enfrentá-las.

Se interessou em formar um grupo? Para inspirar, indico o vídeo abaixo, que registra o último encontro da Rede Nacional dos Grupos de Consumo Responsável.

Foto: Reprodução do vídeo

Jornalista e mestre em Antropologia. Coordenou a Comunicação da Secretaria do Verde da Prefeitura de São Paulo – quando criou as campanhas Eu Não Sou de Plástico e, em parceria com a SVB, a Segunda Sem Carne. Colaborou com a revista Página 22 da FGV e com a Unisol Brasil. Há 3 anos é coordenadora de comunicação da Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental.

Mônica Ribeiro

Jornalista e mestre em Antropologia. Coordenou a Comunicação da Secretaria do Verde da Prefeitura de São Paulo – quando criou as campanhas Eu Não Sou de Plástico e, em parceria com a SVB, a Segunda Sem Carne. Colaborou com a revista Página 22 da FGV e com a Unisol Brasil. Há 3 anos é coordenadora de comunicação da Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental.

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