O influencer Jesse Koz e o cachorro Shurastey, que morreram em acidente nos EUA, serão homenageados em Camboriú

O influencer Jesse Koz e o cachorro Shurastey, que morreram em acidente nos EUA, serão homenageados em Camboriú

morte trágica do influencer Jesse Koz e de seu golden retriever Shurastey chocou e inundou as redes sociais com posts de tristeza, lamento, dor e amor. Um acidente na última segunda-feira, 25 de maio, em Oregon, próximo de Portland, nos EUA, na rodovia US 199, interrompeu para sempre a viagem incrível que os dois faziam desde 2017 e que estava chegando ao final.

Os brasileiros Diego Strutz e Roana Petri Celeste, que acompanhavam Jesse e Shurastey, em outro veículo, neste trecho da viagem, presenciaram o acidente e contaram que ele não conseguiu frear a tempo quando um carro parou abruptamente na rodovia para fazer uma conversão. Jesse perdeu o controle do carro e avançou na pista contrária, batendo de frente em um Ford Escape.

Os dois morreram na hora. Jesse tinha 29 anos, e Shurastey, 6. Seus corpos serão levados para o Balneário Camboriú onde moravam – o do cachorro deve ser cremado nos EUA -, mas isso pode levar entre 20 a 30 dias devido a trâmites burocráticos. Para custear o traslado, Diego e Roana fizeram uma vaquinha online no valor de R$ 120 mil, que atingiu a meta em poucas horas. 

A prefeitura do Balneário Camboriú divulgou que eles serão homenageados em breve: a praça que fica junto ao elevado da Avenida do Estado, ganhará murais com seus nomes. Além disso, o novo dog park será batizado de Shurastey e a cãominhada que já estava marcada para 9 de julho, agora terá como tema a amizade e o amor entre Jesse e seu cão.

Mais de 85 mil km e 17 países

O jovem era paranaense de nascimento, mas “catarinense de coração”. Em 2017, se cansou da vida que levava, pediu demissão (“depois de 7 anos de trabalho duro numa loja de shopping”) e decidiu realizar seu grande sonho: fazer uma longa viagem até o Alaska, com Shurastey, a bordo de um Fusca de 1978, de 1.300 cilindradas, “o carro mais popular e fabricado do mundo”, que ele batizou com o nome do personagem do jogo Legend of Zelda: Dodongo. Previsão de término da road trip: setembro deste ano.

O influencer Jesse Koz e o cachorro Shurastey, que morreram em acidente nos EUA, serão homenageados em Camboriú
Jesse e Shurastey com o Dolongo, em frente ao Capitólio, em Washington, capital dos EUA / Foto: Tana Hsoru, reproduzida do Instagram de Shurastey

Vendeu tudo que tinha – “que não era muito” – e, em 6 de maio, iniciou a jornada pela América Latina. Começou pelo Brasil e conheceu 21 estados. Em agosto de 2020, eles haviam rodado mais de 70 mil km e passado por 16 países. Foi quando ele gravou um vídeo pra contar detalhes da viagem, que está no destaque de seu canal no YouTube.

Jesse e Shurastey em São Francisco, na Califórnia; repare no fusquinha no capô do Dodongo, o Fusca 1978 que conduziu os amigos para a sonhada aventura / Foto: Instagram

Até o dia de suas mortes, eles haviam percorrido mais de 85 mil km e 17 países: Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai, Chile, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, Panamá, Costa Rica, Nicarágua, El Salvador, Guatemala, México e Estados Unidos. 

Faltavam apenas dois dias para chegar ao Canadá (como ele contou no último post que publicou no Instagram), o 18º país antes do destino final: o Alaska.

Shurastey or Shuraigow?

Simpático, bem-humorado e animado, Jesse conquistou fãs nas redes sociais e muitos amigos pelo caminho. Na verdade, ele e Shurastey! 

Em diversos relatos e entrevistas, o influencer sempre declarou seu amor por seu cachorro, dizendo que ele era seu companheiro inseparável e que sempre fez parte de seu plano de viajar pelo mundo. A viagem não teria acontecido sem Shurastey (nesta entrevista, Jesse fala sobre isso).

Jesse e Shurastey em Nova York / Foto: Instagram

Em agosto de 2020, os dois estavam no México e o Fusca precisou de reparos. O conserto ia demorar, então Jesse resolveu dar uma pausa na viagem e voltar ao Brasil… de avião. Shurastey viajou dez horas a seu lado, numa poltrona, super bem-comportado e parecia tranquilo (vale assistir ao vídeo).

A origem do nome do cachorro e do projeto da viagem é curiosa: Shurastey or Shuraigow? É uma corruptela do nome da música Should I Stay or Shoul I go?, da banda The Clash. Em português, significa “Devo ir ou devo ficar?”. Jesse escolheu ir. E Shurastey o acompanhou.

“Sobre viver e não sobreviver”

Eu não era assídua seguidora de Jesse Koz e de Shurastey, mas sempre que via seus posts e assistia seus vídeos ficava feliz por saber notícias e por onde os dois andavam. Jesse era tão amoroso e alegre, também ao contar sobre os momentos difíceis!

Em todos os relatos que publicou no Instagram – ou nos vídeos longos de seu YouTube – o influencer falava da alegria de viver e de como é imprescindível aproveitar cada minuto como se fosse o último. Chavão? Pode ser, mas neste momento do mundo e do país, talvez seja vital falar do óbvio. E também não cansava de declarar seu amor por Shurastey, de falar da reciprocidade do amigo, que ele não precisava falar para se comunicar e Jesse entendia tudo, da cumplicidade entre eles.

Jesse e Shurastey curtindo a neve em Nova York (Dolongo ao fundo) / Foto: Instagram

Assim que soube das mortes dos dois, naveguei por seus perfis. Foi bom descobrir novidades da viagem – por mais triste que seja saber que não prosseguirão – e relatos que eu já conhecia ganharam novo significado. Por isso, pra finalizar este post, selecionei trechos e frases que me tocaram e que resumem e dão ainda mais sentido a tudo que os dois amigos viveram. E deixaram de viver, juntos.  

 “…decidi que a vida é mais do que ficar só esperando. Queria fazer algo novo, algo diferente, algo que fizesse meu coração vibrar, que eu lembrasse alguns anos à frente e me fizesse sorrir do nada, apenas com a memória de que a minha vida valeu a pena ser vivida”. Conseguiu, não?

É sobre parar e contemplar a vida, é sobre viver cada segundo, é sobre estar feliz a cada minuto, é sobre viver e não só sobreviver!”.

Jesse e Shurastey em Ushuaia / Foto: Instagram

“E se este fosse o seu último dia na terra? Você estaria bem com o que está fazendo da sua vida?” A frase acompanhava um vídeo – que você pode assistir aqui -, no qual o sol se punha, lindamente. Jesse havia escolhido o lugar para passar a noite, ao lado da Rota 66, que vibrou ao conhecer. 

“Ou se morre como herói, ou vive-se o bastante para se tornar o vilão”. Esta é a frase que Jesse escolheu para sua bio no Instagram. Ele não foi herói num sentido amplo, mas talvez tenha sido em relação à sua própria existência. Aos 24 anos, reescreveu sua história – curta e intensa -, o que certamente ajudou a inspirar muita gente a ir atrás de seus sonhos.

“Ele não quer saber se é de fusca, ou de carro novo, se eu estou bem-vestido ou se engordei. O que importa é estar ao meu lado, essa amizade é a mais pura e verdadeira que qualquer ser humano poderia ter”.

“E difícil pra quem está de fora entender que tudo que estamos fazendo juntos tem um significado muito além do que podem ver através de minutos compartilhados nos stories!”, escreveu Jesse nesta foto feita em Nova York

(a foto acima foi usada pelos amigos para agradecer os seguidores pela ajuda na vaquinha online)

“Sempre que estou dirigindo e não tô cantarolando, o Shurastey vem e coloca a cabeça no meu ombro. Quando é do lado esquerdo ele quer que eu abra a janela de trás, mas quando é do direito ele só quer um carinho, mesmo!”
“Um dia vou olhar para essas fotos e me lembrar de tudo o que passei, e de como fui forte pra poder superar todos os desafios que surgiram!” – Jesse Koz, no Atacama

Por fim, o vídeo publicado por Jesse em 24 de abril, um mês antes do acidente: 

Este é o texto da narração: “Para mim, a vida é preciosa porque você não pode assistir de novo. É isso que faz a vida ser tão mágica. Um dia você vai comer sua última refeição, cheirar sua última flor, abraçar um amigo pela última vez, sem saber que é a última vez. Por isso você deve fazer tudo o que ama com paixão! Aproveite os poucos anos que você tem, porque só existe isso”.

Fotos: reproduções do Instagram

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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