Filhotes de garças morrem ou ficam desabrigados após poda de árvores realizada pela prefeitura de Santarém

Filhotes de garças morrem ou ficam desabrigados após poda de árvores realizada pela prefeitura de Santarém

Em Santarém, durante o período chuvoso e de cheias dos rios, é muito comum ocorrer a migração de aves da região de várzea para a região urbana. Garças costumam se abrigar nas copas e galhos das árvores instaladas no canteiro central das avenidas Mendonça Furtado e Rui Barbosa, no centro da cidade.

Há anos, garças buscam proteção e transformam as mangueiras em poleiros, que são locais mais secos e ideais para reprodução.

No entanto, a situação resulta sempre em grande sujeira causada pelo acúmulo de fezes das aves no local, o que estaria desagradando moradores e a prefeitura.

Mas, em vez de se munir de informações de profissionais especializados, como biólogos, que pudessem ajudar a lidar com a questão, a prefeitura tomou uma decisão radical e irresponsável.

Filhotes de garças morrem ou ficam desabrigados após poda de árvores realizada pela prefeitura de Santarém
Poda sem cuidado, deixou matou filhotes de garças ou os deixou desabrigados
Foto: Reprodução/Instagram União Animal

Ontem, 25/5, enviou servidores da Secretaria de Agricultura e Pesca (Semap) ao local com a missão de podar os galhos das árvores sem, antes, providenciar a remoção das aves para um lugar seguro. E eles fizeram a poda sem se importar com a presença das aves e de seus ninhos.

Resultado: garças adultas e filhotes foram agredidos e desalojados com a ação irresponsável. Alguns morreram com a queda. Os que ficaram vivos foram deixados no local, em meio aos galhos cortados, desprotegidos, em estado desolador.

Revoltados, moradores registraram o crime e sua indignação, denunciando e expondo a prefeitura nas redes sociais. Com a repercussão do caso, a Semap se pronunciou declarando que vai apurar as responsabilidades.

As aves vivas foram levadas, horas depois, para o zoológico de Santarém.

Estudo

O biólogo Sidcley Matos explicou ao site G1/Santarém que, se houver ninhos de quaisquer aves na árvore, não se pode interferir. E, dependendo do caso, estudos devem ser feitos para analisar a situação. E acrescentou:

“Em meados de novembro e dezembro não haverá mais aves nesse ambientes, e se houver vai ser em número bem reduzido. Esse seria o momento para fazer esse trabalho”.  Exato!

Providências legais

A Semap declarou que está em andamento um processo de remanejamento dos animais para um habitat natural.

Também foi revelado que um grupo de trabalho está sendo formado para encontrar soluções que tornem possível a dispersão dessas aves para locais distantes da área urbana durante o período chuvoso. 

A 13ª Promotoria de Justiça do Meio Ambiente de Santarém instaurou procedimento para apurar o caso. Enviou ofício para a Semma – Secretaria Municipal do Meio Ambiente e a Semap solicitando que sejam prestados esclarecimentos, no prazo de 48h.

Em nota, a Delegacia de Meio Ambiente e Proteção a Animais (Demapa) divulgou que as investigações serão realizadas com base na Lei de Crimes Ambientais e responsabilizará os autores da ação criminalmente.

Mais um caso de ignorância e descaso com o meio ambiente, que deve ser rechaçado pelos cidadãos para que não se repita.

Abaixo, reproduzo o vídeo gravado por um morador da região, que, indignado, mostra, em detalhes, o que aconteceu:

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Foto (destaque): Reprodução/Instagram União Animal

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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