Aumento da temperatura faz crescer casos de clamídia entre coalas, bactéria que pode provocar infertilidade e até matar

Aumento da temperatura faz crescer casos de clamídia entre coalas, bactéria que pode provocar infertilidade e até matar

Se não bastassem todas as ameaças enfrentadas pelos coalas na Austrália – incêndios florestais, ataques de outros animais e perda de habitat -, a espécie que é um dos símbolos do país também tem sofrido com uma infecção sexualmente transmissível, a clamídia. Causada pela bactéria Chlamydia trachomatis e muito comum entre humanos também, ela pode provocar sérios problemas se não for tratada. Além disso, pode ser transmitida da fêmea para seus filhotes.

“É uma doença cruel que causa conjuntivite debilitante, infecções na bexiga e, às vezes, infertilidade”, diz o veterinário e coordenador de pesquisas Amber Gillett, do Hospital de Vida Selvagem do Australia Zoo. Em parceria com a Universidade de Sunshine Coast, os pesquisadores desenvolveram uma vacina contra a clamídia, que já está em fase avançada de testes.

“Embora muitos coalas com clamídia possam ser tratados com antibióticos tradicionais, alguns animais não podem ser salvos devido à gravidade da infecção. Ter uma vacina que pode ajudar a prevenir a infecção e a gravidade da doença é um elemento crítico no manejo de conservação da espécie”, ressalta Gillet.

O estudo da vacina que está na fase 3 irá vacinar 400 coalas, com uma dose única do imunizante. Todos os animais que fizerem parte dos testes receberão um chip para serem monitorados.

Nos últimos anos, a clamídia se espalhou silenciosamente através da população da espécie. Em algumas regiões do país, cerca de 50% dos coalas já foram infectados com a bactéria, o que tem um impacto devastador sobre a reprodução. E o que tem feito piorar ainda mais o problema é o aumento da temperatura provocado pela crise climática. Ao serem expostos à situações climáticas extremas, como incêndios florestais e calor intenso, o sistema imune dos animais se torna mais vulnerável e suscetível à contaminação pela bactéria.

Em junho deste ano, especialistas da Austrália fizeram um alerta ao governo do país: para não desaparecerem, os coalas devem ser classificados como ‘ameaçados de extinção’ na Austrália. Eles afirmam que esses marsupiais podem ser extintos até 2050, a menos que uma ação urgente seja tomada. Por isso, sugerem que a espécie passe de vulnerável a criticamente ameaçada na lista vermelha.

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Foto: domínio público/pixabay

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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