Inteligência artificial será usada para fazer reconhecimento facial de coalas e assim, evitar atropelamentos na Austrália

Inteligência artificial será usada para fazer reconhecimento facial de coalas e assim, evitar atropelamentos na Austrália

Ao lado dos cangurus, os coalas são uns dos animais símbolos da Austrália. Mas infelizmente, eles estão em risco de extinção. A espécie que já enfrentava diversas ameaças, perdeu milhares de indivíduos depois dos incêndios devastadores que aconteceram no final de 2019 e começo de 2020.

Mas agora, um novo projeto vai tentar evitar a morte de coalas por atropelamentos. Um grupo de pesquisadores da Universidade de Griffith utilizará inteligência artificial (IA) para fazer o reconhecimento facial desses animais em algumas estradas de South East Queensland.

“O objetivo do projeto é criar uma base de monitoramento com IA para estudar os comportamentos de travessia dos coalas”, revela Jun Zhou, professor da Escola de Tecnologia da Informação e Comunicação da Universidade de Griffith.

Zhou explica que em geral são usadas câmeras de vídeo para fazer o monitoramento da travessia de animais em rodovias, todavia, é preciso analisar as imagens posteriormente para detectar que tipos de bichos aparecem nos filmes.

Com o reconhecimento facial feito por inteligência artificial, as imagens apontarão apenas os coalas e inclusive, conseguirão fazer a distinção dos indivíduos.

“Com o desenvolvimento rápido da tecnologia nos últimos dez anos, podemos reconhecer não apenas os coalas em geral, mas quais coalas individualmente estão usando os cruzamentos, usando vídeos que foram treinados por nossa IA”, diz o professor.

O sistema de funcionamento será complexo. Nas rodovias e cruzamentos serão colocadas redes de dispositivos interconectados, com cada uma delas contendo uma câmera, um sensor de movimento e um painel solar.

“O movimento do animal irá acionar a captura de imagens. Depois disso elas serão enviadas para um servidor na universidade onde serão processadas, permitindo a detecção automática e o reconhecimento de coalas individuais”, afirma.

A ideia é que com isso seja possível criar estratégias de mitigação para os atropelamentos, trabalhando juntamente com concessionárias de estradas, governos e organizações locais.

Entre 1997 e 2018, cerca de 356 coalas foram atropelados por ano na Austrália, praticamente um por dia.

Um dos grandes obstáculos para a conservação e proteção desses marsupiais é saber exatamente o tamanho de sua população. Os números são bastante controversos. Existem muitas discrepâncias entre os levantamentos porque esse não é um animal fácil de ser avistado. Apesar de grande e fofo, ele se move lentamente e dorme cerca de 20 horas por dia, ou seja, sua pouca mobilidade faz com que se torne mais difícil de ser observado.

Em dezembro do ano passado, o governo australiano anunciou o emprego de outra tecnologia para fazer um censo nacional da espécie: o uso de drones.

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Foto: domínio público/pixabay

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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