Coalas resgatados dos incêndios florestais da Austrália são devolvidos à natureza

Coalas resgatados dos incêndios florestais da Austrália são devolvidos à natureza

Os coalas foram uma das principais vítimas dos incêndios florestais que devastaram a Austrália entre o final de 2019 e o começo de 2020. Estima-se que aproximadamente 10 mil deles morreram devido à tragédia – cerca de 12% da população da espécie foi perdida.

Foram quatro meses de incêndios, com mais de 10 milhões de hectares de vegetação destruídos. As regiões de New South Wales e Victoria, no sudoeste do país, foram as mais afetadas pelo fogo. É na primeira que fica localizado o Parque Nacional Kanangra Boyd, na área montanhosa de Blue Mountains.

Ali não existe apenas uma diversidade enorme de espécies de eucaliptos (mais de 100), árvore que é o principal habitat e fonte de alimentos para os coalas, mas também, onde foi encontrada a mais diversa população genética desses marsupiais na Austrália.

Agora, depois de passar meses no Taronga Zoo, em Sidney, doze coalas que foram resgatados em Blue Mountains estão sendo devolvidos à natureza. Uma equipe da organização Science for Wildlife soltou quatro adultos e um filhote no Parque de Kanangra Boyd. Em um segundo momento, outros sete serão reintroduzidos na vida selvagem.

Coala solto na região de Blue Mountains

O processo de soltura foi agilizado por causa da pandemia de coronavírus. Os coalas receberam colares para que possam ser monitorados nesse período de readaptação.

“Estamos muito felizes em finalmente enviar nossos coalas para casa. Temos estado ocupados avaliando a área queimada de onde os resgatamos, para estabelecer quando as condições melhoraram o suficiente para que as árvores possam suportá-los novamente”, explicou Kellie Leigh, diretor executivo da Science for Wildlife. “As chuvas recentes ajudaram e agora há muita vegetação para os coalas comerem, então é a hora certa. Nós os rastrearemos por rádio e ficaremos de olho neles para garantir que estejam bem”.

Meses após a tragédia, finalmente de volta ao lar

Através do trabalho de monitoramento, os pesquisadores acreditam que talvez possam encontrar “bolsões” de coalas sobreviventes. A tecnologia ajudará ainda na elaboração de estratégias de conservação para a espécie no futuro, incluindo os efeitos provocados pelas mudanças climáticas, entre eles, o aumento da frequência e intensidade de incêndios florestais.

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Fotos: divulgação Science For Wildlife

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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