Usando drones e análises de cocôs, Austrália fará censo nacional para contar população de coalas

Antes dos primeiros europeus chegarem à Austrália, por volta de 1788, milhares de coalas viviam naquelas terras. Todavia, ao longo dos últimos 230 anos, o impacto das atividades humanas, assim como a perda das florestas, reduziu a população desses marsupiais a números alarmantes. Durante muitas décadas, ao redor de 1900, sua pele, por exemplo, era exportada para a confecção de casacos na Europa.

Em 1924, a espécie já estava extinta no sul da Austrália. Apenas no final da década de 30, devido à revolta popular, foi declarado pelo governo o status de “animal sob proteção”.

Todavia, o número exato da população de coalas na Austrália é bastante controverso. Existem muitas discrepâncias entre os levantamentos porque esse não é um animal fácil de ser avistado. Apesar de grande e fofo, ele se move lentamente e dorme cerca de 20 horas por dia, ou seja, sua pouca mobilidade faz com que se torne mais difícil de ser observado.

Cientistas acreditam ser fundamental ter uma noção real dos números desses animais ainda mais após 2019, quando incêndios florestais devastaram o país, e algumas organizações apontaram que pelo menos 5 mil coalas podem ter morrido e que no total, 60 mil teriam perdido a vida, sofrido ferimentos ou tido seu habitat destruído.

Como parte de um pacote no valor de $18 milhões dólares australianos, o ministério do Meio Ambiente anunciou que será realizado um grande censo nacional para se ter uma ideia da população de coalas.

Uma variedade de métodos será usada para o levantamento, incluindo o uso de drones que detectam a presença de calor, monitoramento acústico, cães farejadores e ainda, coleta de cocôs desses marsupiais.

O último censo de coalas realizado na Austrália, em 2012, apenas solicitou estimativas a pesquisadores e cientistas.

O custo do censo deve girar em torno de $ 2 milhões de dólares australianos e o resto dos recursos do pacote será destinado ao reflorestamento de áreas destruídas, estudos e suporte veterinário.

Coalas: luta pela sobrevivência

Os coalas já enfrentavam uma situação extremamente difícil na Austrália bem antes da temporada dos incêndios do ano passado.

Em maio de 2019, eles foram declarados “extintos funcionalmente” porque já são tão poucos, que não têm mais papel no ecossistema.

Os biólogos dizem também que o declínio da população compromete a segurança e a variação genética da espécie, pois o acasalamento, muitas vezes, ocorre entre “parentes” muito próximos.

Usando drones e análises de cocôs, Austrália fará censo nacional para contar população de coalas

Acredita-se que os coalas (Phascolarctos cinereus) evoluíram no continente australiano durante o período em que a Austrália começou a se deslocar lentamente para o norte, separando-se gradualmente da massa terrestre antártica, há cerca de 45 milhões de anos.

Restos fósseis de animais semelhantes a eles foram encontrados datando de 25 milhões de anos atrás. À medida que o clima mudou e a Austrália se tornou mais seca, a vegetação mudou para o que conhecemos hoje como eucalipto, tornando-se a fonte de alimento desses marsupiais.

*Com informações do Ministério do Meio Ambiente da Austrália

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Fotos: domínio público/pixabay

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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