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A líder indígena Sonia Guajajara e o pesquisador Tulio de Oliveira estão entre as 100 pessoas mais influentes do mundo eleitas pela revista TIME

A líder indígena Sonia Guajajara e o pesquisador Tulio de Oliveira estão entre as 100 pessoas mais influentes do mundo eleitas pela revista TIME

Na manhã desta segunda-feira, como acontece todos os anos desde 2004, a revista norte-americana TIME divulgou a lista das 100 pessoas mais influentes do mundo, em 2022. Entre elas, estão dois brasileiros eleitos na categoria pioneiros por suas brilhantes trajetórias: a líder indígena Sonia Guajajara e o pesquisador Tulio de Oliveira.

Sonia é coordenadora executiva da APIB – Articulação dos Povos Indígenas do Brasildesde 2013, e tem liderado a luta diária contra os ataques do governo Bolsonaro às terras indígenas e ao meio ambiente, em especial a Amazônia.

Em 2018, ela concorreu à vice-presidência do Brasil na chapa de Guilherme Boulos, líder do MTST Movimento dos Trabalhadores Sem Teto.

Tulio vive na África do Sul desde 1997 e é diretor do Centro para Respostas e Inovação em Epidemias (Ceri) do país e, em 2021, identificou a variante ômicron do coronavírus, mais transmissível que as demais variantes até então conhecidas, junto com o cientista Sikhulile Moyo, diretor do laboratório dedicado ao estudo do HIV em Botsuana, numa parceria com a Universidade Harvard.

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Em dezembro do ano passado, a descoberta rendeu a inclusão de Tulio na lista da renomada revista científica Nature, que destaca aqueles que fizeram a diferença na ciência (como contamos aqui).

Ativista, feminista, socialista

Cada participante da lista é perfilado por uma personalidade. Coube a Guilherme Boulos escrever sobre a amiga e companheira de ativismo e de política: este ano, os dois lançaram suas pré-candidaturas a vagas na Câmara dos Deputados, pelo PSoL (contamos aqui sobre a de Sonia).

A líder indígena Sonia Guajajara e o pesquisador Tulio de Oliveira estão entre as 100 pessoas mais influentes do mundo eleitas pela revista TIME

“Desde cedo, ela lutou contra forças que têm tentado exterminar sua comunidade por mais de 500 anos”, escreveu ele na descrição.

“Desde tenra idade, ela lutou contra forças que tentam exterminar as raízes de sua comunidade há mais de 500 anos. Sônia resistiu e continua resistindo até hoje: contra o machismo, como mulher e feminista; contra o massacre de povos indígenas, como ativista; e contra o neoliberalismo, como socialista”, destacou Boulos.

Lembrou de sua resistência e bravura diante das constantes ameaças do governo, entre elas a negligência e desrespeito aos direitos dos povos indígenas, em especial durante a pandemia. E ainda falou do ativismo de Sonia na luta contra a crise climática

E completou: “Sonia é uma inspiração, não só para mim, mas para milhões de brasileiros que sonham com um país que salda suas dívidas com o passado e finalmente acolhe o futuro”.

Vale lembrar que, junto com lideranças e integrantes de etnias diversas, Sonia incentivou a ocupação de Brasília, em manifestações para o fortalecimento da união dos povos, que partem de diferentes regiões ou para protestar contra a aprovação de projetos de lei que visam a destruição de seus territórios ou acompanhar julgamentos como o do marco temporal, no Supremo Tribunal Federal, que volta no final de junho.

Em todos esses encontros, eles deixam claro que ‘O Brasil é Terra Indígena‘, que ‘O Futuro é Ancestral’ e que ‘Antes do Brasil da Coroa, existe o Brasil do Cocar“, como costuma dizer Célia Xakriabá, jovem liderança que tem o dom da palavra e é uma grande aliada de Sonia.

Em suas redes sociais, a líder indígena compartilhou o reconhecimento da TIME com todos os povos indígenas do mundo: 

“O reconhecimento da revista Time, que me elege entre as 100 personalidades mais influentes de todo o mundo, é um reconhecimento da luta indígena global, que é coletiva e defende o futuro de toda a humanidade. A luta pela Mãe Terra é a mãe de todas as lutas. Demarcação já! Viva os povos originários! Obrigada aos que estão com a gente nesta luta!” (veja o post que ela publicou no Instagram, no final deste texto). 

Inspiração para o futuro da saúde pública e genomas

“Uma mudança de paradigma que simbolizou que a excelência científica pode ter origem na África”. 

Foi assim que, em seu texto de apresentação, o camaronês John Nkengasong,diretor dos Centros Africanos para Controle e Prevenção de Doenças, descreveu osequenciamento da ômicron realizado por Tulio e Sikhulile e “prontamente comunicado à comunidade internacional”. 

A líder indígena Sonia Guajajara e o pesquisador Tulio de Oliveira estão entre as 100 pessoas mais influentes do mundo eleitas pela revista TIME
Ilustração de Brian Lutz para a revista Time, com base nas fotos de Nani Quarmyne/Panos Pictures/Redux (Tulio) e ProPhoto Studios Gaborone (Moyo)

 

O especialista lembrou que a descoberta resultou em falta de solidariedadeimediata por parte de países americanos e europeus, que impuseram restrições de viagens aos africanos, antes mesmo de serem relatados casos de infecção no continente. 

“Isso me fez refletir sobre como a cooperação e a solidariedade globais devem ser quando lutamos juntos contra um desafio como a Covid”.

E Nkengasong acrescentou: “Toda geração tem pessoas que vão inspirar a próxima, e Sikhulile e Tulio têm o potencial para ser essa inspiração para aqueles que vão trabalhar com saúde pública e genomas”, concluiu o cientista.

Pioneiros e líderes

A lista da revista TIME contempla personalidades em seis categorias: artistas, inovadores, titãs, líderes, ícones e pioneiros.

Sonia e Tulio estão na última, que, este ano, ainda contemplou a fotógrafa americana Nan Goldin, conhecida por seu trabalho artístico com pessoas LGBT e a crise do HIV, e Emmett Schelling, diretor executivo de uma organização que promove a igualdade para texanos transgêneros, não binários e intersexuais, entre outros.

Quatro governantes estão entre os líderes influentes. O presidente recém-eleito do Chile, Gabriel Boric, de 35 anos, e os presidentes dos Estados Unidos, da Rússia e da Ucrânia – Joe Biden, Vladimir Putin e Volodymyr Zelensky – que estão no centro das discussões sobre a guerra.

Os líderes Yoon Suk-yeol, da Coreia do Sul, Xi Jinping, da China, e Olaf Scholz, premiê da Alemanha completam a lista ao lado da primeira juíza negra da Suprema Corte americana, Ketanji Brown Jackson.

Outros brasileiros influentes

Desde 1999, a lista da TIME é muito aguardada, mas nem sempre destaca quem fez a diferença por seus bons feitos. E só lembrar dos brasileiros indicados em 2020, por exemplo, pra compreender que o critério que define os contemplados é a potência de sua influência na atualidade, não importando as consequências de suas ações.

Para chegar aos 100 nomes, a revista consulta políticos, jornalista e acadêmicos.

Em 2020, o influenciador digital Felipe Neto foi selecionado e muito elogiado, mas Bolsonaro também foi indicado, e só recebeu críticas negativas. É uma figura considerada influente – e o é, sem dúvida! -, mas devido à sua perversidade e aos impactos devastadores de suas ações.

No ano passado, o Brasil foi representado apenas por uma mulher: a empresária Luiza Trajano, do Magazine Luiza, perfilada pelo ex-presidente e candidato à eleição deste ano, Lula (Luiz Inácio Lula da Silva), que figurou nessa lista duas vezes: em 2004, quando a seleção se tornou anual, e 2010.

O ex-presidente dos Estados Unidos, Barak Obama -, que, em encontro de líderes disse “este é o cara!”, se referindo a Lula – foi quem mais recebeu a distinção da revista: onze vezes.

A TIME também agraciou a ex-presidenta Dilma Roussef por duas vezes: em 2011 e 2012. Em 2016 (ano do impeachment de Dilma, que alicerçou o golpe), incluiu o juiz parcial, Sergio Moro, entre as personalidades.

A seguir, veja o post que Sonia Guajajara divulgou em suas redes sociais, com a reprodução da capa que a revista elabora para cada personalidade. 

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Leia também sobre outros reconhecimentos da revista TIME:
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Fotos: APIB/Divulgação (Sonia) e Rogan Ward/Nature (Tulio)

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