Cientistas envolvidos no desenvolvimento das vacinas contra a covid são escolhidos “Heróis do Ano” pela revista Time

Cientistas envolvidos no desenvolvimento das vacinas contra a covid são escolhidos "Heróis do Ano" pela revista Time

Em 2020 o mundo foi pego de surpresa pelo novo coronavírus. Em pouquíssimo tempo o vírus SARS-CoV-2 cruzou as fronteiras da China e se espalhou para outros países: uma pandemia global, que já matou mais de 5 milhões de pessoas. Mas enquanto governos impunham confinamentos à população, empresas fechavam as portas e escolas enviavam alunos para casa, milhares de cientistas continuavam trabalhando arduamente em seus laboratórios. E menos de um ano após os primeiros casos de covid terem sido diagnosticados na cidade de Wuhan, as primeiras vacinas foram desenvolvidas. E os profissionais envolvidos nesta empreitada histórica foram eleitos pela revista Time como “Heróis do Ano”, em 2021.

Os nomes dos escolhidos foram divulgados hoje pela publicação: Kizzmekia Corbett e Barney Graham (Moderna) e a Katalin Kariko e Drew Weissman (Pfizer/Biontech). Os quatro, chamados de “The Miracle Workers”, na tradução para o português, “Os Profissionais do Milagre”, trabalham em duas das indústrias farmacêuticas que conseguiram desenvolver e produzir vacinas que hoje estão sendo aplicadas em diversos países, entre eles, o Brasil.

Os autores do texto da Time destacam que “cerca de um mês depois que o primeiro grupo de pacientes apareceu com respiração ofegante em um hospital de Wuhan, todo o genoma do coronavírus – 30 mil nucleotídeos específicos – foi classificado, identificado e publicado online”. Após duas semanas, começavam os primeiros testes, ainda em laboratórios, para uma vacina.

Tanto as vacinas da Moderna, como a da Pfizer/Biontech, utilizam a tecnologia chamada de mRNA mensageiro, uma sequência genética que codifica a produção de uma proteína e estimula a produção de anticorpos neutralizantes contra o vírus. Apesar do termo e da tecnologia inovadora serem novos para o público em geral, ela já é estudada há décadas e existem outras vacinas que fazem uso dela, como por exemplo, a da herpes zoster.

Os quatro profissionais ressaltam que apesar do processo de desenvolvimento da vacina ter parecido rápido, o conhecimento que se tinha sobre a tecnologia era enorme. E foi isso que garantiu que uma ferramenta tão eficaz contra o novo coronavírus pudesse ser produzida em tempo recorde.

A revista lembra que outras vacinas também foram desenvolvidas e não apenas esses quatro profissionais (Kizzmekai, Graham e Weissman são americanos e Katalin é húngara) devem receber aplausos para o árduo trabalho desempenhado. Outros imunizantes, como o da companhia Astrazeneca, em parceria com a Universidade de Oxford, e da Johnson & Johnson, também chegaram ao mercado, todavia, tanto a Moderna como a a Pfizer/Biontech fizeram uso da mRNA, tecnologia que é esperança para vários outros medicamentos e tratamentos para outras doenças, com melhores resultados, no futuro.

“Graças aos cientistas que lideram o desenvolvimento inovador e a construção dessas vacinas contra a covid-19, agora temos uma lista de possibilidades quase infinitas. As vacinas funcionam com uma magnificência que apenas destaca o quão longe a ciência avançou – e quão longe a sociedade permanece em reconhecer e aceitar o que agora é possível. Nossas comunicações, nossa política, nossas culturas fragmentadas ainda estão emaranhadas em confusão e ceticismo, impedindo as pessoas de receberem as doses. Durante o primeiro inverno angustiante da pandemia, os cientistas presentearam a humanidade com o prêmio final – uma arma para combatê-la. Agora cabe à humanidade retribuir o favor”, diz o texto da Time.

No vídeo abaixo, em inglês, a apresentação dos ganhadores e um pouco de suas histórias:

*A revista Time também anunciou na segunda, 13/12, sua escolha da “Personalidade do Ano”: o empresário fundador das companhias Tesla e Space-X, Elon Musk (ele é nascido na África do Sul). Por ser uma figura bastante polêmica e controversa, a publicação foi criticada pela indicação do nome. Além dele, receberam o título de “Atleta do Ano”, a ginasta americana Simone Biles, e de “Celebridade do Entretenimento” a cantora, também americana, Olivia Rodrigo.

Leia também:
Verdades e mitos sobre as vacinas contra a COVID-19
Artistas, políticos e atletas que são exemplo (ou não) na conscientização sobre a importância da vacina para acabar com a pandemia
“Eu devia ter tomado a maldita vacina!”, diz americano, pai de cinco filhos, antes de morrer de covid
Personalidades globais e ex-presidentes e primeiros-ministros urgem países ricos a doarem 240 milhões de vacinas que irão perder a validade

Foto: divulgação Time

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.