Projeto Pomar Urbano plantará 30 mil mudas de árvores nas margens do Rio Pinheiros, em São Paulo

Projeto Pomar Urbano plantará 30 mil mudas de árvores nas margens do Rio Pinheiros, em São Paulo

A maravilhosa imagem que abre este post foi escolhida para sonharmos. É assim que gostaríamos de ter o rio Pinheiros, em São Paulo. Despoluído, com águas cheias de vida e uma mata exuberante em sua volta.

Entretanto, a fotografia acima, feita pelo fotógrafo Luciano Candisani, foi tirada no Legado das Águas, a maior reserva privada de Mata Atlântica, exemplo de biodiversidade e conservação. Outro sonho, mas que já se tornou realidade de forma linda.

Os rios Pinheiros e Tietê são o símbolo do descaso da maior cidade do Brasil com o meio ambiente. Poluídos e sem vida, cortam a capital paulista como um esgoto a céu aberto.

Há décadas e décadas prefeitos e governadores que passam pelo poder público falam na recuperação dos rios, mas até hoje, nada foi feito. Algo que seria possível. Basta vontade política. Exemplos bem sucedidos aconteceram com o Sena, em Paris, e o Tâmisa, em Londres.

Mas pelo menos, há uma boa notícia a ser celebrada no que se refere ao Pinheiros. Durante as comemorações do Dia do Meio Ambiente, na semana passada, foi anunciado o plantio de 30 mil árvores de espécies nativas e raras da Mata Atlântica em suas margens.

Mudas sendo cultivadas no viveiro do Legado das Águas

O projeto paisagístico é do botânico Ricardo Cardim, outro sonhador que quer devolver “o verde” a São Paulo -, em parceria com o Legado das Águas (Reservas Votorantim), que doará as mudas de seu viveiro, e a Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente do Estado de São Paulo.

Não haverá custo nenhum para os cofres públicos. Tudo está sendo bancado pelos parceiros privados. Durante os próximos 30 meses, eles serão responsáveis pelo plantio e manutenção das árvores na margem oeste do Pinheiros (sentido Interlagos), em cerca de 13 quilômetros de extensão.

Recuperar a vida nas margens do Pinheiros

Criado em 1999, o Projeto Pomar Urbano tem o objetivo de recuperar a vegetação das margens do rio, através de parcerias com o setor privado.

O grande diferencial dessa nova fase do projeto é a criação de “verdadeiras mini Florestas Atlânticas no ambiente urbano”. Entre as espécies selecionadas estão Quaresmeiras, Manacás, Ipês, Araucárias, Cereja Brasileira, Palmito Jussara, Pitangueiras e Jabuticabeiras, que no futuro, vão se transformar em um importante “corredor aéreo ecológico” para os pássaros, ao fornecer um ponto de parada e refúgio, além de alimentos para as aves.

Ricardo Cardim deseja resgatar a estética original do rio Pinheiros e criar uma aproximação com a comunidade. “Tratamos esse projeto muito além do plantar mais árvores na marginal. É uma soma positiva de técnicas e beleza, caminho para enfrentar os desafios que atingem metrópoles como São Paulo”, diz.

O começo de vida nova para as margens do Pinheiros

O verde que só traz benefícios

Qualquer cidade do mundo sabe da importância da preservação de espaços verdes dentro do espaço urbano.

Os benefícios que árvores e plantas geram são imensos. Para começar, entre os principais serviços (gratuitos) prestados por elas estão melhorar a qualidade do ar, reduzir a poluição sonora e contribuir para o equilíbrio do clima nas cidades, sobretudo, tornando-as menos quentes nos meses de verão.

De acordo com os responsáveis pelo Projeto Pomar Urbano, cada árvore da Mata Atlântica chega a retirar da atmosfera cerca de 160 kg de dióxido de carbono (CO2, gás apontado como sendo o principal responsável pelo aquecimento global).

Por último, apesar do projeto não ser a solução para a despoluição do Pinheiros, pelo menos ele ajudará um pouco na limpeza de suas águas, já que as raízes das árvores funcionam como filtros para o “lixo invisível”, a micropoluição gerada pela queima de combustíveis dos veículos que trafegam pelas suas margens.

Fotos: reprodução Facebook Legado das Águas – Luciano Candisani (abertura)

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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