Negócios sociais às margens da represa Billings: vivências náuticas e um novo olhar sobre as cidades

Às margens da represa Billings – que abastece parte da população da Grande São Paulo e faz divisa com os municípios de Santo André, São Bernardo do Campo, Diadema, Ribeirão Pires, Rio Grande da Serra e São Paulo -, se desenvolvem dois projetos de turismo náutico. Mais do que isso, são propostas de turismo comunitário: Meninos da Billings, na cidade de São Paulo, e passeios de barco promovidos pela Colônia de Pescadores Orlando Feliciano, em São Bernardo do Campo.

Sim, tem peixe e pesca na Billings. E os passeios oferecidos pela Colônia de Pescadores são parte de um programa que pode proporcionar aos interessados muito mais do que navegar pela represa: conhecer o dia a dia dos pescadores e uma série de outros empreendimentos solidários localizados na região, como a Rede Balsear, sobre a qual já escrevi aqui no Conexão Planeta.

Propiciando a observação da represa de um outro ângulo, da perspectiva de suas águas, os passeios são conduzidos pelos próprios pescadores, que são também monitores ambientais e conhecem bem a região. Há restaurantes nas margens da represa, e peixes como tilápia, lambari e traíra, encontrados na represa, estão presentes em suas receitas.

Já na cidade de São Paulo, o Meninos da Billings, no Grajaú, zona sul da cidade, existe desde 2004 e oferece dois pacotes possíveis: o primeiro tem uma hora de duração e inclui canoagem na represa e informação sobre a história da cidade e suas águas. Já o segundo, inclui, em cerca de três horas, a travessia de barco até a Ilha do Bororé, onde é possível ter contato com práticas de permacultura, agricultura familiar, cachaça de cambuci e arquitetura histórica.

Além de descobrir uma parte de São Paulo que é pouco conhecida por seus moradores, em geral, esses passeios proporcionam novas perspectivas de visão e garantem o funcionamento de projetos que atendem mais de mil pessoas: aulas de canoagem para crianças e adolescentes, escola de marcenaria para mulheres e oficinas de construção de lixeiras com garrafas pet retiradas da represa.

A Meninos da Billings foi um dos negócios sociais selecionados para aceleração e investimento pela Aceleradora de Negócios de Impacto da Periferia (ANIP) este ano, e vai receber mentorias, participar de cursos e palestras que ajudarão a estruturar ainda mais o negócio.

Nos dois casos, descobrir novos olhares sobre a cidade, sob a perspectiva da represa, e experimentar a vivência, os serviços e sabores dos empreendimentos localizados às suas margens é um convite e tanto. Bora?

Foto: Marivaldo Oliveira|Meninos da Billings, Divulgação

Mônica Ribeiro

Jornalista e mestre em Antropologia. Coordenou a Comunicação da Secretaria do Verde da Prefeitura de São Paulo – quando criou as campanhas ‘Eu Não Sou de Plástico’ e, em parceria com a SVB, a ‘Segunda Sem Carne’. Colaborou com a revista Página 22, da FGV-SP, e com a Unisol Brasil. Hoje é conectora – trabalha linkando projetos e pessoas de todas as áreas na comunicação para um mundo melhor

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