Estônia pode ser primeiro país no mundo a oferecer transporte público gratuito

Isto é que é exemplo de governo a serviço do povo!! Há seis anos, setenta e cinco porcento dos estonianos que vivem na capital, Tallinn, votaram pelo transporte público gratuito em referendo e a medida começou a ser colocada em prática em seguida. Mas o sistema contempla somente os moradores da cidade, que têm direito à gratuidade – 24 horas por dia, sete dias por semana -, depois de fazer registro como residente e pagar 2 libras por um green card. Visitantes de outras cidades do país e turistas continuam pagando para usar a rede de transportes, que oferece ônibus, bondes, trens e trólebus.
Rapidamente, o sistema se revelou muito popular. Tanto que o governo quer lançar viagens gratuitas de ônibus por todo o país e, desde julho de 2017, tem incentivado seus 15 condados a aderirem ao sistema com subsídio do orçamento nacional. Nem todos se encantaram com a proposta, mas, mesmo sem total adesão, se o sistema estoniano se mostrar bem sucedido, o país será o primeiro a oferecer transporte público de graça. E já está inspirando outros países a fazerem o mesmo.
O País de Gales, no Reino Unido, está experimentando viagens de ônibus gratuitas nos finais de semana. Alemanha e França estão estudando a possibilidade de tornar gratuito seu serviço de transporte público, com o objetivo não só de reduzir o trânsito, mas também a poluição do ar. As benesses do transporte gratuito não se limitam a esses pontos.

De acordo com o site de Tallinn, além de beneficiar os cidadãos com baixa renda, a medida facilita o deslocamento de qualquer pessoa e incentiva as de renda mais alta a gastar mais em restaurantes, cafés e lojas locais. Interessante. Nessa cidade, cada pessoa registrada como residente significa que parte dos impostos nacionais pagos por cada morador vai para os cofres municipais. Allan Alaküla, chefe do Escritório da União Européia nessa cidade, contou à PopUpCity que a cidade perdeu receita oferecendo transporte gratuito, mas ganhou em dobro com esses registros de residentes, porque os estonianos se sentem motivados a morar lá para usar o transporte público sem pagar.

E aí a gente pode pensar que essa iniciativa convidou os motoristas a deixarem seus carros em casa, o que ajudaria muito no tráfego. Pois é, mas não foi bem assim. Análise feita pelo governo em 2016 apontou que, em 2014 – ou seja, um ano depois de implantado o projeto – o uso desse transporte aumentou 14%, mas o uso do carro foi reduzido em apenas 5%. Isso aconteceu porque, quem aderiu, efetivamente, foi quem anda a pé. E este é um dado impressionante: as caminhadas foram reduzidas em 40%!
Isso aconteceu por causa da adesão de idosos, jovens estudantes, das pessoas de baixa renda e também dos desempregados. Todos caminhantes. Não foram os motoristas que gostaram da ideia e deixaram seus carros na garagem, como se poderia supor.
Nem tudo é perfeito. Não conheço Tallinn, mas a julgar pelas fotos que encontrei na internet, parece inacreditável que sua população ainda goste tanto de andar de carro. Espero que isso não coloque em risco o projeto de implantar o transporte público gratuito por lá e em todo o país. E que essa experiência se espalhe pelas grandes cidades do mundo.
Foto: Angelo Giordano/Pixabay

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na Claudia e Boa Forma, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, considerado o maior portal no tema pela UNF. Integra a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade.

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na Claudia e Boa Forma, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, considerado o maior portal no tema pela UNF. Integra a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade.

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