Professora é afastada por imitar e ridicularizar os indígenas em sala de aula

Na semana passada, uma professora de uma escola da cidade de Riverside, na Califórnia, Estados Unidos – John W. North High School -, resolveu dar uma ‘aula performática’ sobre a cultura indígena. Mas, em vez de fazê-lo com respeito e reverência, ridicularizou os nativos diante dos alunos.

Indignado, o estudante Akalei Brown, descendente dos indígenas Kanaka-Maoli e Taos Pueblo, filmou a “manifestação” racista.

Usando um cocar feito de papel, a professora pulou, correu de um lado para outro, dançou – também em cima de uma cadeira – e cantou de forma jocosa. Na verdade, segundo o Los Angeles Times, ela entoou a palavra Sohcahtoa, usada em cursos de matemática para lembrar funções trigonométricas.

Num dado momento, sentou-se na mesa com as pernas cruzadas e levantou os braços para o alto, fazendo “uma prece para a deusa da água”. Em seguida, riu e declarou: “obviamente, isso é ridículo!”.

As imagens foram publicadas por Brown nas redes sociais e viralizaram rapidamente, ganhando repercussão e gerando indignação na população – em especial na comunidade nativa americana -, entre os funcionários da escola e políticos locais. 

Os pais dos alunos pressionaram a diretora da escola, Jodi Gonzales, para que demitisse a professora. No dia seguinte o Riverside Unified School District divulgou comunicado declarando que sua atitude “não representa os valores do nosso distrito”. E acrescentou: “Esse tipo de comportamento é completamente inaceitável ​​e uma representação ofensiva das vastas e expansivas culturas e práticas dos índios americanos”.

Em comunicado, a presidente do sindicato dos professores, Laura Boling, declarou que a instituição estava decepcionada. “Nós nos preocupamos profundamente com nossos alunos e não toleramos ações que alienem, prejudiquem e ameacem o ambiente de aprendizagem dos alunos indígenas”.

Na reunião do conselho escolar, realizada no dia seguinte à noite, várias pessoas chamaram o ato de racista e pediram a demissão da professora, mas, apesar da pressão, ela foi apenas licenciada, e está sendo investigada. Parece que não é a primeira vez que ela se manifesta de maneira desrespeitosa com os indígenas.

“Não somos uma fantasia!”

Para Dee Dee Manzanares Ybarra, diretora do Movimento Indígena Americano do Sul da Califórnia, a situação é muito delicada para os estudantes indígenas: “As pessoas estão chateadas, estão um pouco zangadas com o que aconteceu porque é desrespeitoso com nossos jovens”.  

Destacando a importância da presença de professores culturalmente sensíveis cursos de estudos étnicos – que ajudem os alunos a compreender as lutas do passado e do presente e as contribuições de grupos marginalizados, incluindo os povos indígenas -, Ybarra completou: “Estamos cansados ​​de ser ridicularizados. Não somos uma piada. Não somos uma fantasia”. 

As irmãs Arisbeth e Besibeth Chavez, calouras na John W. North, disseram que ficaram “chocadas, enojadas e decepcionadas … Não pensamos que isso aconteceria onde moramos”.

Sabrina Cervantes e José Medina, membros da Assembleia Democrática, que representam partes do condado de Riverside, se uniram a James C. Ramos, residente da Reserva Indígena de San Manuel (condado de San Bernardino), para divulgar declaração conjunta condenando o lamentável ocorrido. 

“É prejudicial e desanimador ver a cultura nativa americana e indígena representada de forma tão banal e insensível. Precisamos garantir que os alunos aprendam sobre si mesmos de maneira positiva, precisa e adequada”.

Ybarra e Medina tentaram entregar, pessoalmente, uma carta de repúdio à diretora da escola, mas foram impedidos. Nela, exigem a rescisão do contrato da professora com a escola e um pedido de desculpas ao aluno nativo americano, que gravou o vídeo. 

Abusos diários

No Twitter, o vídeo de Brown tem mais de 4 milhões de visualizações. No Instagram se espalhou por diversos perfis; reproduzo um deles abaixo.

“Achei necessário compartilhar este vídeo com o mundo para que todos possam ter uma pequena amostra dos tipos de abusos que as crianças nativas enfrentam nas escolas dos EUA todos os dias”, declarou Brown em uma mensagem nas redes sociais.

Ele ainda destacou que feriados como o Halloween – celebrado em 31 de outubro apenas reforçam as experiências traumáticas dos nativos americanos. “Esta é uma realidade para os nativos nos EUA e não vamos mais aceitar sentados”. 

Com informações do Los Angeles Times

Foto: Reprodução do vídeo

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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