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Peixes estão ficando menos coloridos em corais doentes e branqueados, alertam cientistas

Peixes estão ficando menos coloridos em corais doentes e branqueados, alertam cientistas

Apesar de os recifes de corais cobrirem apenas 0,2% do fundo dos mares do planeta, eles abrigam 25% de todas as espécies de vida marinha, em algum momento de suas existências, fornecendo habitat e alimentos. E é a imensa diversidade e as cores incríveis de sua fauna e flora que sempre atraíram o homem a mergulhar nesses ecossistemas incríveis. Todavia, ao longo das últimas décadas, os corais têm sido muito afetados. Estima-se que o aumento da temperatura dos oceanos já provocou uma perda de 14% dos recifes do mundo desde 2009.

Agora, um novo estudo divulgado na publicação Global Change Biology alerta que os peixes que vivem em áreas de corais doentes e branqueados parecem estar perdendo a coloração.

“Descobrimos que, à medida que a cobertura de corais estruturalmente complexos aumenta em um recife, aumenta também a diversidade e a variedade de cores presentes nos peixes que vivem dentro e ao redor deles. Mas, à medida que a cobertura de algas e corais mortos aumenta, a diversidade de cores diminui para uma aparência mais generalizada e uniforme”, afirma o ecologista marinho Christopher Hemingson, pesquisador da James Cook University, na Austrália, e principal autor do artigo.

Hemingson e seus colegas compararam dados e imagens em alta resolução, atuais e das últimas duas décadas, de peixes vivendo próximo a Orpheus Island, ilha localizada bem no centro da Grande Barreira de Corais. Perceberam uma grande alteração das cores após o branqueamento ocorrido globalmente em 1988.

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Ao longo dos 30 anos passados, já foram registrados cinco grandes eventos de branqueamento de corais na Austrália e acredita-se que apenas 2% desses ambientes ficaram “intocados” por esses desastres. Não só os peixes têm ficado menos coloridos, mas sabe-se que suas populações também foram reduzidas.

Na figura A, uma comunidade de peixes colorida em um ambiente saudável. Na B, as cores diminuem devido à degradação do coral e presença de algas
(Fotos: Christopher Hemingson)

O branqueamento dos corais ocorre quando a temperatura da água do mar aumenta muito e as microalgas que vivem neles e são responsáveis por lhe dar cor, assim como servem de alimento, não aguentam o calor extremo. Como consequência, as algas deixam esse ambiente e os corais ficam brancos e sem ter o que comer, podem acabar morrendo.

“Descobrimos que a estrutura do fundo do mar parece ser muito importante na formação da coloração dos peixes; mais do que sua composição (ou seja, sua cobertura de coral vivo). Ter lugares para se esconder de predadores pode ter permitido que os peixes de recife desenvolvessem colorações únicas devido a uma dependência reduzida de camuflagem para evitar serem mortos”, explica o pesquisador.

Mas se nada for feito para que se reduza a emissão de gases de efeito estufa na atmosfera do planeta para conter o avanço do aquecimento global, o ser humano pode não encontrar mais um fundo do mar tão colorido e vibrante.

“Infelizmente, é improvável que os tipos de corais mais capazes de sobreviver aos impactos imediatos das mudanças climáticas (corais maciços e pedregosos) forneçam esses refúgios. As comunidades de peixes em futuros recifes podem muito bem ser uma versão mais ‘monótona’ de suas configurações anteriores, mesmo que a cobertura de corais permaneça alta”, diz Hemingson.

*Com informações e entrevistas divulgadas pela assessoria de comunicação da James Cook University

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Foto: domínio público/pixabay

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