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Mais um urso é morto da Itália e abate revolta organizações de proteção animal

Mais um urso é morto da Itália e abate revolta organizações de proteção animal

Em setembro do ano passado, a morte de uma ursa, que que deixou dois filhotes órfãos, provocou comoção entre os italianos. Amarena vivia no Parco Nazionale d’Abruzzo Lazio e Molise, no sudeste do país. Conhecida pela população local e pelos guardas florestais do parque, ela nunca tinha atacado ninguém, nem oferecido risco para visitantes. Mas a fêmea foi abatida a tiros por um morador, que afirmou ter se sentido ameaçado pelo animal.

Cinco meses depois, mais uma vez, um urso foi morto, sem ter atacado ninguém. Dessa vez por autoridades italianas. M90, como era identificado, possuía um colar de monitoramento por rádio e uma tag na orelha.

Segundo a Polícia Florestal de Trentino, M90 tinha sido avistado diversas vezes nas últimas semanas próximo a “áreas residenciais ou nas imediações de habitações permanentes”. Além disso, ele teria seguido propositalmente pessoas, em três ocasiões diferentes – em uma delas moradores que faziam trilhas nas montanhas perto do vilarejo de Ortisé, no Vale di Sole.

Considerado então um “risco para a segurança pública“, o governador da província e Trentino, Maurizio Fugatti, ordenou seu abate.

Todavia, entidades de proteção animal protestaram contra a rapidez da execução e pela falta de transparência no processo. Ele poderia ter sido levado para um santuário ou qualquer instituição de acolhimento a ursos.

“A sentença de morte decretada pelo presidente da Província Autônoma de Trento Maurizio Fugatti foi executada ontem à tarde. A OIPA, consternada, apelou até ao fim para proteger a vida e a liberdade de M90. Esperávamos até ao fim uma mudança de atitude, tendo em conta a proteção especial de que gozam as espécies também a nível europeu e em conformidade com o artigo 9º da Constituição que protege a biodiversidade, mas Fugatti também foi surdo aos pedidos da opinião pública, que gostaria de um Trentino amigo dos animais”, escreveu a organização OIPA Itália em suas redes sociais.

A ONG afirmou ainda que apresentará um pedido de acesso aos documentos para conhecer os detalhes do caso, “até porque na breve nota da Província não está explicado como executaram a sentença, se com armas de fogo ou com a intervenção de um veterinário”.

Maurizio Fugatti definitivamente não preza pela vida de ursos. Em julho de 2023, seu nome esteve envolvido em outro caso polêmico. Na época ele ordenou que uma ursa fosse apreendida e abatida. JJ4 havia atacado o corredor Andrea Papi, de 26 anos. Com ferimentos profundos no pescoço, peito e braços, o jovem não resistiu e morreu.

Contudo, juízes de um tribunal de Roma anunciaram que a ursa não deveria ser sacrificada. A fêmea deveria ser mantida em cativeiro, para garantir a segurança da população da região, mas os magistrados afirmaram que a ordem de abate era “desnecessária e desproporcional” (leia mais aqui).

Entre 1996 e 2004, nove ursos – três machos e seis fêmeas – foram soltos em áreas de floresta ao norte da cidade de Trento, como parte de um programa de reintrodução, financiado pela Comunidade Europeia.

Quase duas décadas depois, teme-se agora pela interação pacífica entre a espécie e os moradores da região. Estima-se que atualmente a população de ursos ali chegue a 100 indivíduos. Todavia, a morte do jovem corredor foi o primeiro incidente desse tipo, envolvendo a espécie, na história moderna da Itália.

Especialistas ressaltam que autoridades locais precisam tomar medidas preventivas, como por exemplo, alertar residentes a manterem a distância de áreas onde há ursas fêmeas com filhotes, o que as torna mais agressivas.

No mundo todo existem oito espécies de urso: polar, panda, negro americano, negro asiático, malaio, beiçudo, de óculos e o marrom (Ursus Arctos), como é o caso de JJ4 e M90. Há ainda várias subespécies em diversos continentes.

O marrom, chamado de grizzly bear nos Estados Unidos, e os que vivem no Ártico, são os mais ferozes dentre todos.

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Foto de abertura: divulgação OIPA

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kalluaguiar
4 meses atrás

Revoltante, uma covardia sem nome! Punição para esses assassinos já!

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