“Recebemos informações sobre a absurda situação de desnutrição de crianças Yanomami, em Roraima. Amanhã [21] viajarei ao Estado para oferecer o suporte do governo federal e, junto com nossos ministros, atuaremos pela garantia da vida de crianças Yanomami”.
Foi assim que o presidente Lula anunciou, esta tarde, em seu Twitter, que irá à Roraima para visitar a Terra Indígena Yanomami e ver de perto a situação trágica que tem marcado esse povo.
A decisão repentina veio após reunião com Sonia Guajajara, do Ministério dos Povos Indígenas (MPI), para tratar do assunto. Ao final, ambos concluíram que “a intervenção é urgente e primordial” e que o acompanhamento ‘in loco’, é imprescindível.
Lula, então, convocou uma ação interministerial de emergência, que será conduzida por Sonia, junto com a Funai e a Sesai (Secretaria de Saúde Indígena).
Como se trata de uma ação com muitas frentes (instalação de hospitais emergenciais, fornecimento de medicamentos, entrega de mantimentos, entre outros), tem o apoio de múltiplos ministérios: Saúde, Justiça, Planejamento e Orçamento e Desenvolvimento Social, Assistência, Família e Combate à Fome e Casa Civil.
Assim, além de Sonia e da primeira-dama Janja da Silva, integram a comitiva que viajará com Lula: Márcio Macedo (Secretaria-Geral da Presidência), os ministros Nísia Trindade (Saúde), Flávio Dino (Justiça), Wellington Dias (Desenvolvimento Social), Silvio Almeida (Direitos Humanos), José Múcio (Defesa), além do general Gonçalves Dias (Gabinete de Segurança Institucional) e de Marcelo Kanitz Damasceno, comandante do comandante da Aeronáutica. E mais: Joenia Wapichana, presidente da Funai, e Weibe Tapeba, secretário especial da Sesai.
Eles devem chegar à Base Aérea de Boa Vista por volta das 10h30 de amanhã, e seguirão para um posto médico na zona rural.
Segundo a APIB – Articulação dos Povos Indígenas, em breve o Ministério da Saúde decretará crise sanitária e humanitária, enquanto o Governo Federal deve decretar estado de calamidade pública na Terra Indígena Yanomami.
Os dois decretos facilitarão a agilidade das ações que precisam ser empreendidas, como a liberação de equipamentos e materiais: aerononaves, medicamentos, equipes de especialistas e assistentes etc.
Números estarrecedores
O anúncio da viagem à Roraima acontece quatro dias após o Ministério da Saúde enviar uma equipe indisciplinar para analisar a situação sanitária no território indígena, que abriga cerca de 30,4 mil habitantes e, com Bolsonaro, tornou-se alvo preferencial do garimpo ilegal.
Os profissionais que lá estão atuando enviaram imagens impactantes do cenário encontrado: muitas crianças (e idosos) desnutridas. Fome, doenças, como a malária, contaminação por mercúrio…
Com o aumento da invasão, além da violência física empreendida contra diversas comunidades (meninas e mulheres são estupradas com frequência, algumas mortas , e jovens são cooptados para trabalhar no garimpo), os criminosos derrubam a floresta, poluem os rios (os peixes estão contaminados por mercúrio), destruindo as fontes de alimento dos indígenas. E ainda impedem que agentes de saúde e medicamentos cheguem até eles.
Assim, mais de 120 comunidades Yanomami sofrem com insegurança alimentar e desnutrição grave, que afeta principalmente as crianças (contamos aqui, em dezembro de 2022).
Dados recentes do Ministério da Saúde revelam que, nos últimos quatro anos, morreram 570 crianças com menos de 5 anos, por doenças que têm tratamento. O titulo da reportagem do site Sumaúma, publicada hoje, dá a medida da situação: “Não estamos conseguindo dar contar dos corpos”.
Em setembro de 2021, a Agência Pública havia denunciado que, “sob Bolsonaro, os Yanomami têm o maior índice de mortes por desnutrição infantil no país”: entre 2019 e 2020, foram 24 crianças.
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Foto: APIB
Fico feliz e mais tranquila com está noticia. Há anos meu coração dói e me revolto pela forma desumana, cruel e desesperadora pelas quais os povos indígenas são submetidos. Amo os povos da floresta bem como os anjos de nossa fauna.