Castanheira-do-Brasil: rainha soberana da Amazônia

Não é à toa que os povos da floresta, em sua ancestral sabedoria, escancaram seu respeito a elas. As castanheiras são rainhas da Amazônia.

Empoderadas desde a semente, surgem majestosas às margens de grandes rios, como o Amazonas, o Negro, o Orinoco e o Araguaia, mas estão ameaçadas de extinção.

A castanheira-do-Brasil (Bertholletia excelsa) ou do Pará, não é exclusividade nossa. Dá o ar da graça também nos outros oito países amazônicos (Peru, Colômbia, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname, Venezuela e Guiana Francesa). Atualmente só é abundante na Bolívia e no Suriname.

Hoje é considerada vulnerável pela União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN). E só mesmo por causa da irresponsabilidade do homem uma árvore desse porte pode estar na mesma frase que a palavra “vulnerável”.

Gigantes, as castanheiras-do-Brasil atingem entre 30m e 50m de altura e até 2m de diâmetro. Estão entre as espécies mais altas da Amazônia. Há registros de castanheiras que alcançaram 50m de altura e mais de 5m de diâmetro.

Seu tronco é reto e os galhos se concentram na parte mais alta da árvore. A casca é acinzentada. Quem já viu uma, repleta de ouriços, não esquece jamais.

Sendo assim tão forte por natureza, tão generosa na distribuição de castanhas que valem ouro dentro e fora do Brasil, por que está ameaçada?

Castanheira derrubada numa fazenda nos arredores de Labrea, Amazonas, uma das regiões mais desmatadas da Amazônia

As castanheiras dependem de um ambiente intocado para sua reprodução. No equilíbrio preciso da natureza, suas flores só são polinizadas por alguns tipos de insetos, que são atraídos por orquídeas que vivem perto das árvores de castanha.

Se as orquídeas ou os insetos são mortos, as castanheiras não dão frutos. A principal causa para o risco de extinção é o desmatamento. No Brasil, castanhais são derrubados para a construção de estradas e barragens, para assentamentos de reforma agrária e para a criação de gado.

Quem não mora na Amazônia carrega também parte da responsabilidade por manter esses gigantes de pé.

Comprar apenas madeira certificada, apoiar a criação e a gestão de unidades de conservação e dar preferência a produtos sustentáveis do ponto de vista ecológico e social são formas de ajudar a conservar os castanhais e muitas outras espécies de árvores ameaçadas.

Aprendamos com elas a capacidade de resistir. Só assim para sobreviver à brutalidade de nosso tempo.

Laís Duarte (texto) e Adriano Gambarini (fotos)

Laís Duarte é jornalista especializada em meio ambiente, repórter da TV Cultura, mineira, leitora voraz, curiosa e viajante. É autora de vários livros sobre o tema, muitos deles ao lado de Adriano Gambarini, geólogo de formação, espeleólogo, fotógrafo, documentarista. Um contador de histórias por imagens, e palavras; ganhador do Prêmio Comunique-se

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