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Novos ventos sopram no caminho da arara-azul-de-lear, e eles não são necessariamente bons

Novos ventos sopram no caminho da arara-azul-de-lear, e eles não são necessariamente bons

Como é possível que, em apenas 75 centímetros, cerca de 900 gramas, caiba tanta beleza? A arara-azul-de-lear é prova dos requintes a que a natureza se permite em milênios de evolução. Um tesouro desses, guarda exagerada raridade.

A ave de um azul único é endêmica da Caatinga baiana. Isso quer dizer que só existe entres os rios São Francisco e Vaza-Barris, e em nenhum outro lugar do planeta. Não que lá a espécie leve uma vida leve…

A arara-azul-de-lear já esteve criticamente ameaçada de extinção, com população reduzida a 40 indivíduos na natureza. Um bicho tão especial, vítima da ação do comércio ilegal de animais silvestres, passou quase a existir apenas nas imagens dos livros.

Novos ventos sopram no caminho da arara-azul-de-lear, e eles não são necessariamente bons

Agora, a arara começa a dar voos mais altos graças a projetos de conservação que acompanham a espécie bem de perto. Mas a lista de ameaças não para de crescer.

Pesquisadores apontam que a construção de um complexo eólico em Canudos, na Bahia, pode abalar sua já fragilizada luta pela sobrevivência. O empreendimento está sendo erguido a cerca de 40 km do principal refúgio da espécie e vai instalar turbinas eólicas no trajeto de sua rota ancestral.

Novos ventos sopram no caminho da arara-azul-de-lear, e eles não são necessariamente bons
Estação Ecológica Raso da Catarina, localizada entre os rios São Francisco e Vaza-Barris, em Canudos, Bahia, habitat natural da arara-azul-de-lear

Geração de energia de fontes renováveis, como a eólica, é, sim, necessária e urgente, em um planeta que precisa interromper o uso de combustíveis fósseis. Entretanto, o projeto, que divide a opinião dos cientistas, pode aumentar o risco de colisão das aves com as turbinas.

Mundo afora as alterações do homem no ambiente destroem habitats, ameaçam animais, ceifam vidas. Porém, quando o assunto é arara-azul-de-lear, perder um indivíduo sequer, ou dois, é arriscar a existência de toda a população.

Quando uma espécie é perdida pelo descaso humano, pela exploração desenfreada da natureza ou pela falta de estudos, desmorona junto com ela nosso compromisso com a vida.

Novos ventos sopram no caminho da arara-azul-de-lear, e eles não são necessariamente bons

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Fotos: Adriano Gambarini

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