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A lição de quem conserva o que resta de verde no Mato Grosso

Que linda esquina de mundo é o Mato Grosso! Ou melhor, era.

Um estado só que conservava em si o privilégio de ostentar as árvores retorcidas do Cerrado, a exuberância da Amazônia, a explosão de vida do Pantanal. Bastava pegar o carro e rodar alguns quilômetros para ver a natureza se transformar. Mas conjugar os verbos no passado dói na alma.

Agora o que se vê são as diferenças igualadas pela velocidade do que se convencionou chamar de progresso. Matas, veredas, alagados dão lugar às lavouras. No norte do estado é possível percorrer 70, 80 kms sem ver uma árvore sequer. Tudo engolido pela soja ou pelo algodão, a depender da época.

Não é à toa que o estado ocupa a terceira colocação no ranking de desmatamento da floresta amazônica no ano passado, segundo dados do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), que monitora a região. O Mato Grosso devastou 1.504 km² entre janeiro e dezembro.

De acordo com o estudo, 2021 foi o ano em que se registrou a maior área desmatada em uma década na maior floresta tropical do mundo. Foram destruídos 10.362 km² de mata nativa da Amazônia.

As consequências desse destruição não conhecem fronteiras nem cercas. Fazem-se presentes na alteração no regime de chuvas, na perda da biodiversidade. Ameaçam a sobrevivência de povos e comunidades tradicionais e intensificam os extremos climáticos.

O que resta de mata está justamente guardado nas Terras Indígenas preservadas, refúgios da vida. Pena que elas sejam poucas… Dos 141 municípios, 55 contam com terras indígenas, segundo a Funai.

O Mato Grosso registra 42.538 indígenas, divididos em 42 etnias, de acordo com o IBGE. Cai sobre eles a responsabilidade que deveria ser de todos nós: cuidar do meio ambiente, assegurar a sobrevivência das futuras gerações, inclusive para a nossa espécie.

Fica aqui, então, a lição de Seu Lídio, pajé nambikwara:

“Soja tem semente. Algodão tem semente, milho tem semente. Água não tem semente. Quando ela acabar não será possível plantar mais. Vai acabar para branco, para negro, para indígena também”.

Que possamos plantar a semente de conservação de Seu Lídio dentro de cada um de nós. No Mato Grosso e no Brasil inteiro.

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