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Por que proteger os manguezais é proteger a nós mesmos?

Por que proteger os manguezais é proteger a nós mesmos?

Um berçário da vida. O encontro entre o mar e a terra, refúgio e abrigo para milhares de espécies. Imensa é a importância dos manguezais para o equilíbrio do planeta.

Árvores elegantes como bailarinas, que parecem andar na ponta dos pés, com seus emaranhados de raízes salientes, formam florestas exuberantes. Grandiosas e generosas, dividem espaço e sombra com liquens, algas, seres minúsculos e frágeis. Alastram-se pelas costas tropicais a embelezar as paisagens.

Essa mistura de solo encharcado, de plantas únicas, de animais espetaculares tem papel fundamental na mitigação das mudanças climáticas e na proteção de zonas costeiras.

Como se não bastasse amortecer a força das correntezas, resguardar cidades, ser uma maternidade de espécies que só se reproduzem ali, os mangues ainda asseguram a subsistência de milhões de pessoas.

Os cientistas mundo afora não se cansam de exaltar o valor dos manguezais. Até a Organização das Nações Unidas (ONU), ciente de que enfrentamos o maior desafio da humanidade, reforça a urgência de conservar tamanha beleza, de aumentar a conscientização sobre o papel integral desses ecossistemas únicos, raros e biodiversos.

Mesmo assim, eles vão sendo engolidos pela ignorância, pela ganância, por municípios insustentáveis no correr do tempo. Os mangues estão desaparecendo mais rápido do que as outras florestas no mundo. A Unesco estima que a cobertura de mangue global foi reduzida à metade da área original nos últimos 40 anos.

São raros, mas guardam um mundo de possibilidades. Os mangues ocupam os litorais de 123 nações pelo mundo, conforme aponta a Unesco. Porém, cobrem menos de 1% das florestas tropicais e menos de 0,4% das superfícies florestais dessa Terra que chamamos de lar. 12% de todos os manguezais do planeta estão na costa brasileira.

Em 2018, o ICMBio – Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade mapeou a grandeza dos mangues nacionais para contabilizar cerca de 14 mil km² de florestas encharcadas e pujantes. Nos alimentam, nos protegem, nos refrescam. E o que fazemos por elas?

Toda vida tem o direito de existir. É uma questão ética, moral e constitucional no Brasil.

Só por isso os manguezais já teriam que ser preservados. Mas, como parte da espécie humana insiste em exigir cumprimento de função para valorizar a natureza, aqui vai um argumento irrefutável: quase não há ecossistema mais produtivo e útil do que os mangues.

Eles prestam incontáveis serviços ecossistêmicos, que beneficiam gente, planta e bicho:
– filtram impurezas, retendo poluentes;
– fazem a ciclagem de nutrientes, evitam a erosão das costas e preservam ruas, pontes, casas, hotéis;
– barram a força das ondas, a violência das tempestades; e
– protegem a prole de diversas espécies que se reproduzem ali, muitas delas consumidas por nós, como o caranguejo, a tainha, o linguado.

Mesmo assim, vemos as praias brasileiras se tornarem um endereço de contrastes: as cidades que avançam sobre o mangue são as mesmas que retiram dele boa parte do próprio sustento (foto abaixo).

O que fazer se o futuro se esvai a cada centímetro de mangue destruído?

A foto de Adriano Gambarini mostra uma área de mangue em Sergipe, que sofre com a pressão do avanço urbano

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Foto (destaque): Adriano Gambarini

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