O que fazer com roupas velhas?


O que fazer com roupas velhas?

Rasgadas, furadas, passadas, esquecidas ou até, nunca usadas. A questão é que todos temos roupas no armário que precisam de um novo destino. Mas se você pensou em jogar fora, pense de novo. Primeiro, porque não existe fora – tudo continua dentro do nosso planeta. Segundo, porque as roupas precisam de matéria-prima, água e energia para serem fabricadas, portanto, descartá-las como lixo significa desperdiçar bens naturais. Terceiro, porque existem muitas formas de estender a vida útil de peças que não queremos, não servem ou aparentemente, não possuem mais uso.

Reutilizar e reciclar roupas e calçados é fundamental num mundo que produz e consome em quantidade e ritmo crescentes. Os números da indústria da moda, que é a segunda mais poluente (atrás da petrolífera), são assustadores. Segundo o relatório Pulse of the Fashion Industry 2018, publicado pela Global Fashion Agenda, em colaboração com o The Boston Consulting Group, mais de 92 milhões de toneladas de resíduos têxteis foram descartados em 2015, considerando desde o processo produtivo até o fim do uso. A previsão para 2030 é que o desperdício aumentará 62%, chegando a 148 milhões de toneladas – o equivalente à geração anual de 17,5 kg por pessoa no planeta.

Ainda de acordo com o levantamento, a maioria dos resíduos de roupas acaba em aterros, lixões ou é incinerada, sendo que somente 20% das peças são coletadas para reutilização ou reciclagem. No Brasil, o total de resíduos têxteis chega a 170 mil toneladas por ano e estima-se que somente 15% das roupas são reaproveitadas ou recicladas. A decomposição das peças pode levar até centenas de anos quando feitas de fibras sintéticas (derivadas do petróleo) e os componentes químicos das tintas podem contaminar o solo e água, sem contar nos gases de efeito estufa emitidos na cadeira de produção e no descarte.

Se a indústria conseguisse fechar completamente o ciclo de produção e reutilizar os resíduos têxteis como matéria-prima, a pegada ambiental de toda indústria seria drasticamente reduzida, diz o relatório. Para isso, é fundamental aumentar a coleta do vestuário, que pode ser feita pelas lojas. O documento afirma que a taxa de coleta de 20% que existe hoje pode ser triplicada globalmente até 2030. Reciclando 60% dos resíduos têxteis, a indústria poderia economizar mais de 4 bilhões de euros. “A indústria ainda estaria criando grandes volumes de resíduos (mais de 90 milhões de toneladas por ano), mas o valor absoluto não cresceria mais com o aumento da produção”, informa o relatório. Esse cenário exige mudanças de comportamento dos consumidores, novas formas de produção e consumo, sistemas de logística reversa e políticas públicas.

Soluções ao nosso alcance

VENDA

Quando uma roupa ou calçado ainda está em bom estado e você não quer mais, a primeira opção é vender a peça em brechós na sua cidade ou pela internet. Você pratica a economia colaborativa e circular – o que aumenta o número de peças usadas no mercado, estende a vida útil dos seus itens e reduz a demanda por roupas novas e ainda ganha um dinheirinho. A venda pode ser em grupos no Facebook ou sites como Mercado Livre, OLX, Enjoei, Retroca (só roupas infantis), Repassa, Etiqueta única, Peguei Bode e Caixa Vintage, entre outros.

Mercado Livre
Enjoei
Retroca
Repassa
Etiqueta Única
Peguei Bode
Caixa Vintage

DOAÇÃO

Outra opção é doar. Você pode separar algumas peças para vender e outras para dar, assim, além dos benefícios citados acima, você ajuda pessoas e instituições carentes. Você pode doar as roupas diretamente às organizações ou centros assistenciais e participar de campanhas de arrecadação, levando as peças até um ponto de coleta. As doações também podem ser para familiares e amigos. Irmãos mais velhos costumam repassar suas roupas para os mais novos e amigos trocam peças para variar o armário.

CONSERTO

Um furo ou rasgo não inutilizam uma roupa. Já perdi as contas de quantas peças e bolsas eu levei à costureira ou sapateiro para serem remendadas. É uma forma de aumentar a vida útil do que você tem e economizar dinheiro que seria gasto na compra de um item novo. Um estrago na peça também pode ser uma oportunidade para customizar e transformar uma roupa velha em nova. Nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, por exemplo, o Exército da Salvação faz um trabalho muito bacana de arrecadação não somente de roupas, como de móveis e outros objetos. As coletas em casa podem ser agendadas por telefone.

REUSO/UPCYCLING

Roupas que não estão em condição de ser doadas, nem vendidas ou consertadas, podem ser transformadas em outros produtos. Uma blusa velha pode virar sacola, uma calça jeans pode se tornar uma bolsa, uma toalha de banho pode ser dividida em dois panos de chão. Peças aparentemente sem uso nenhum podem virar enchimento de almofada. A reutilização é uma forma de fechar o ciclo de produção, uso e descarte, utilizando o que seria resíduo como matéria-prima.

Você mesmo pode fazer seus novos produtos a partir da sua imaginação ou de tutoriais na internet. Só precisa de tesoura, agulha e em alguns casos, uma máquina de costura. E criatividade, lógico! Você também pode incentivar esse mercado da economia circular consumindo, somente quando necessário, produtos criados a partir de resíduos ou peças reutilizadas. O Re-Roupa, por exemplo, é um projeto de criação de vestuário a partir de sobras de rolo de tecido, retalhos e roupas com defeitos. A empresa Insecta Shoes aceita de volta os tênis que você não quer mais e dá um novo destino: faz ajustes para revender ou desmonta os componentes para a reciclagem.

Seja qual for sua escolha, uma coisa é certa: não existe lixo quando o assunto é roupa.

Foto: domínio público/pixabay

Jornalista e técnica em Meio Ambiente, a catarinense é Embaixadora da Juventude Lixo Zero Blumenau e membro da Juventude Lixo Zero Brasil. Escreve sobre sustentabilidade e preservação ambiental no blog pessoal Sustenta Ações , em que busca contribuir para um mundo mais verde e consciente

Letícia Klein

Jornalista e técnica em Meio Ambiente, a catarinense é Embaixadora da Juventude Lixo Zero Blumenau e membro da Juventude Lixo Zero Brasil. Escreve sobre sustentabilidade e preservação ambiental no blog pessoal Sustenta Ações , em que busca contribuir para um mundo mais verde e consciente

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