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O artista e ativista Mundano instala ‘tsunami de plástico’ inflável, produzido com mais de mil sacolas descartadas, em Brasília

Inspirado na xilogravura do artista japonês Katsushika HosukaiA Grande Onda de Kanagawa -, o artista e ativista Mundano criou e produziu um inflável no formato de onda gigante – tem dez metros de altura e 20 de largura! –, com 1,1 mil sacolas plásticas descartadas, que pesam 60 quilos e foram recolhidas, selecionadas e higienizadas por catadores e catadoras de materiais recicláveis de cooperativas de São Paulo.

Para montar a instalação interativa e imersiva, o artivista (como ele se autodenomina) emendou as sacolas plásticas com ferro de passar roupa, formando uma superfície de 605 m2. Esse manifesto artísticoque ele chamou de “a maior instalação artivista da minha vida” – contou com a criação do coletivo Flutua e a colaboração do Pimp My Carroça (projeto fundado pelo artivista em 2012 para dar visibilidade ao serviço ambiental prestado por catadores/catadoras de materiais recicláveis em todo o Brasil.

O artista e ativista (artivista) Mundano em frente ao tsunami de plástico,
na Esplanada dos Ministérios, em Brasília
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A megaonda plástica foi instalada na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, para a abertura do 3º Congresso Internacional Cidades Lixo Zero, que começou na terça-feira (25).

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Organizado pelo Instituto Lixo Zero, o congresso reuniu representantes nacionais e internacionais de consideradas cidades lixo zero, com foco no Sul Global. Os palestrantes vieram da Colômbia, Uruguai, Argentina, Paraguai, Itália, Nepal, Moçambique, Angola e Estados Unidos.

A intenção do artista e do evento foi a de alertar os participantes e o público que por ali passa sobre a presença do plástico nos oceanos.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

“A intervenção é também um recado para que o poder público avance na legislação contra o verdadeiro tsunami de plástico que não para de invadir a vida das pessoas”, declarou o artista à Folha de SP. “Ninguém aguenta mais tanto plástico nos nossos rios, mares, calçadas e até na nossa comida, em forma de microplásticos”.

Dentro da obra, a cenografia remete ao fundo do mar, com corais produzidos com resíduos plásticos, como garrafas PET, peças de PVA, restos de grama sintética e, até, vapers (cigarros eletrônicos).

A grande onda de óleo no Nordeste

Não é a primeira vez que Mundano se inspira na obra de Hosukai, de 1830, para criar. Em 2020, ele fez uma releitura da obra, pintando uma tela com óleo cru do vazamento no litoral nordestino: “Pra que mais este crime não caia no esquecimento!”, como contamos aqui.

‘A grande onda de óleo no Nordeste’: tela de Mundano

O óleo – cerca de um litro – foi coletado em 21 de outubro de 2019, por voluntários da ONG Recife Sem Lixo, na Praia do Paiva, município de Santo Agostinho, em Pernambuco.

“Estudando o óleo entendi o quão forte ele é e tive que usar equipamentos de proteção individual disponíveis no estúdio – como luvas, máscara de gases, óculos de proteção e capa impermeável. Com essa experiência valorizo ainda mais a coragem da galera que se mobilizou pra limpar as praias sem esses equipamentos”, declarou o artista na ocasião.

Sobre a obra escolhida, Mundano contou que, primeiro, pensou em se inspirar em algum pintor do nordeste, que tivesse desenhado praias, paisagens de mar, mas não encontrou nenhuma obra que se encaixasse em sua ideia. A gravura de Hokussai já estava mapeada pois ele já havia pensado em pintá-la com lama tóxica da Samarco, mas mudou seus planos e batizou sua tela de A grande onda de óleo no Nordeste“.
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Foto (destaque): Marcelo Camargo/Agência Brasil

Com informações: Mundano, Folha de SP e congresso

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