Ninhos artificiais: aliados essenciais na reprodução dos papagaios

Ninhos artificiais: aliados essenciais na reprodução dos papagaios

Entre agosto a fevereiro ocorre o período de reprodução dos papagaios no Brasil. E alguns projetos no país têm dado uma ‘mãozinha’ a estas aves para que esse processo seja mais bem-sucedido. É o caso, por exemplo, do ‘Programa Papagaios do Brasil’, que entre outras ações, instala ninhos artificiais para suprir a falta de de ocos em árvores para que as fêmeas coloquem seus ovos e posteriormente, cuidem de seus filhotes.

“As espécies são monitoradas por especialistas há mais de duas décadas. Com muita pesquisa e conhecimento local, observamos que o desmatamento era uma das principais razões para a ausência de ocos adequados para a reprodução dos papagaios”, explica Elenise Sipinski, responsável técnica do programa e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN). “Com isso, incentivamos a criação de Unidades de Conservação nas áreas de distribuição dos papagaios e também instalamos os ninhos artificiais para suprir a falta de cavidades naturais”.

Esses ninhos artificiais são essenciais a ponto de existirem regiões que, se os papagaios não puderem contar com o eles, precisam se deslocar para áreas muito distantes e correm o risco de perder o período reprodutivo da espécie, acabar ocupando uma cavidade natural não apropriada, perdendo os filhotes ou até, morrer procurando um ninho natural.

Para arrecadar dinheiro para esse projeto tão importante, o Programa Papagaios do Brasil lançou a campanha Adote um Ninho. O objetivo da iniciativa é gerar recursos não apenas para a instalação, mas também manutenção e monitoramento de ninhos de quatro espécies brasileiras: papagaio-de-cara-roxa, papagaio-de-peito-roxo, papagaio-verdadeiro e papagaio-charão.

“Como especialistas nós acreditamos muito no potencial de mobilização desta campanha. Os papagaios são espécies carismáticas e muito conhecidas pela população brasileira”, diz Nêmora Prestes, coordenadora do Programa Nacional de Conservação do Papagaio-de-peito-roxo e também integrante da RECN. “Cada vez mais a sociedade tem entendido seu papel cidadão na conservação da biodiversidade. Adotar um ninho precisa ser visto como uma ação que garante futuro, um presente à nossa e às futuras gerações”.

Ninhos artificiais: aliados essenciais na reprodução dos papagaios

Três filhotes dentro de um oco

E como você pode participar da campanha? Pra começar, acesse agora o site Adote um Ninho e escolha qual das espécies quer ajudar. Em seguida, você vai aprender mais sobre a ave e escolher o valor da doação, que fica a seu critério. A transferência pode ser feita entre contas bancárias ou pelo Pix.

Então, vamos lá?! Adote um ninho agora mesmo!

O Programa Papagaios do Brasil, criado em 2017, trabalha pela conservação de seis espécies de papagaios com diferentes graus de ameaça: papagaio-verdadeiro; papagaio-charão, papagaio-de-peito-roxo, papagaio-de-cara-roxa, papagaio-chauá e papagaio-moleiro, todas espécies contempladas pelo Plano de Ação Nacional (PAN) para a Conservação dos Papagaios e que sofrem com diferentes ameaças, como o tráfico e a redução de seus habitats naturais.

O Programa Papagaios do Brasil conta com a execução da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS), e participação da Associação Amigos da Natureza, do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres (CEMAVE) do Instituto Chico Mendes de Conservação à Biodiversidade (ICMBio), da Fundação Neotrópica, do Parque das Aves e da Fundação Grupo Boticário de Proteção da Natureza.

Um papagaio-da-cara-roxa, espécie endêmica da Mata Atlântica,
que pode ser observada entre as florestas dos litorais sul de São Paulo e do Paraná

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Fotos: divulgação SPVS

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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