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Íris dos olhos de gansos que sobrevivem à gripe aviária mudam de cor

Íris dos olhos de gansos que sobrevivem à gripe aviária mudam para a cor preta

São milhares e milhares de aves mortas e animais de outras espécies também, todos vítimas da atual onda de gripe aviária no mundo. A doença já tinha deixado muitos mortos no passado, mas cientistas afirmam que a atual cepa do vírus, H5N1, tem provocado um desastre bem maior.

Desde 2022, países da Europa e dos Estados Unidos registraram casos em animais domésticos e selvagens. Produtores de aves precisaram sacrificar milhões delas em fazendas onde algum indivíduo foi diagnosticado com a gripe.

Por esta razão, pesquisadores têm se debruçado a fundo sobre o problema para tentar entender melhor como o vírus age e encontrar alguma estratégia para conter a disseminação da doença. E eles acabam de fazer uma descoberta surpreendente em relação ao ganso-patola (Morus bassanus), também conhecido como atobá-boreal, ave marinha encontrada em regiões do Atlântico Norte.

Segundo um estudo divulgado há poucos dias, as íris dos olhos dos gansos que sobrevivem à gripe aviária mudam para a cor preta. Originalmente ela é de um tom azul claro.

Pesquisadores de várias organizações começaram a observar essa alteração na cor da íris e exames posteriores indicaram uma infecção anterior do H5N1 no sangue das aves.

“Este foi um achado fascinante e a descoberta pode se tornar uma ferramenta de diagnóstico não invasivo. Os próximos passos são entender sua eficácia, se ela se aplica a alguma outra espécie e se há impactos prejudiciais à visão das aves. Exames oftalmológicos também serão necessários para determinar o que está causando a coloração preta”, diz Jude Lane, cientista da organização RSPB e principal autora do estudo.

Os animais que possuíam a mudança na cor da íris e tiveram seu sangue analisado – todos apresentando ótimo estado de saúde -, faziam parte da colônia de Bass Rock, no Reino Unido, considerada a maior da espécie no mundo, onde quase 150 mil gansos-patola se concentram no pico de sua temporada de reprodução.

Todavia, apesar de indivíduos terem sido encontrados bem, houve uma altíssima mortalidade dessas aves na primavera do ano passado nas costas da Islândia, Canadá, Alemanha e Noruega.

De acordo com o levantamento feito pela RSPB, a taxa de sobrevivência de adultos entre 2021 e 2022 foi 42% menor do que a média anterior de dez anos em Bass Rock. “A extensão total de quantas aves morreram durante esse período não será confirmada até que as aves voltem na próxima temporada de reprodução”, revela a organização.

Íris dos olhos de gansos que sobrevivem à gripe aviária mudam para a cor preta

Um ganso-patola com a íris preta: ainda não se sabe se mudança afeta a visão das aves
(Foto: Jude Lane/RSPB)

Altamente contagiosa, a gripe aviária é causada pelo vírus da gripe HPAIV (atualmente o que mais circula é a cepa H5N1). Poucos dias após a contaminação, os sintomas já ficam visíveis, como paralisia e inchaço de partes do corpo, e vários órgãos param de funcionar. A taxa de mortalidade chega a 90%.

As aves migratórias, principalmente as aquáticas, como patos e gansos, são apontadas como as principais responsáveis pela transmissão.

Apesar de o risco para os seres humanos ser muito baixo, a Organização Mundial de Saúde destaca que a situação deve ser acompanhada de perto. Profissionais da área ressaltam que o vírus precisaria passar por diversas mutações ainda para conseguir infectar o homem. De acordo com dados da ONU, nos últimos 20 anos, foram registrados 870 casos de gripe aviária em humanos e 457 deles foram fatais.

*Com informações da RSPB

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Foto de abertura: Jude Lane/RSPB 

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