Em janeiro e fevereiro, o desmatamento na Amazônia Legal atingiu 196 km², ou seja, 63% a menos do que nos mesmos meses em 2023, quando foi detectada a devastação de 523 km².
Os dados são do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do Imazon – Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia que, devido à metodologia, costumam ser diferentes dos do Deter, do Inpe – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais.
A Amazônia Legal engloba nove estados – Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e parte do Maranhão – e corresponde a 59% do território brasileiro.
Fevereiro foi o 11º mês consecutivo de redução da devastação, o que tornou o primeiro bimestre deste ano o de menor derrubada da floresta nos últimos seis anos, desde 2019.
Mas, embora a notícia seja boa, se comparado ao período de 2008 (quando o Imazon implantou seu monitoramento por imagens de satélite e o Fundo Amazônia foi criado) a 2017, este bimestre apresentou desmatamento superior, já que nesse período não ultrapassou 150 km², exceto em 2015.
“Se compararmos com as capitais brasileiras, a área de floresta perdida em janeiro e fevereiro na Amazônia supera os territórios de três delas: Vitória (97 km²), Natal (167 km²) e Aracaju (182 km²). Já se equipararmos com campos de futebol, a devastação no primeiro bimestre chegou a quase 327 por dia”, conta o Instituto em seu site.
“Esses dados mostram que ainda temos um grande desafio pela frente”, sentencia Larissa Amorim, pesquisadora do Imazon. “Atingir a meta de desmatamento zero prometida [pelo governo] até 2030 é extremamente necessário para combater as mudanças climáticas. Para isso, uma das prioridades do governo deve ser agilizar os processos em andamento de demarcação de terras indígenas e quilombolas e de criação de unidades de conservação, pois são esses os territórios que historicamente apresentam menor desmatamento na Amazônia”.
Mato Grosso, Roraima e Amazonas: campeões no bimestre
Considerando as áreas desmatadas nos dois primeiros meses deste ano, os estados que lideram o ranking são Mato Grosso (32%), Roraima (30%) e Amazonas (16%) que, juntos, somam 152 km² de florestas derrubadas no bimestre, ou seja, 77% da devastação detectada na Amazônia.
No Mato Grosso, a principal causa é a expansão agropecuária, em especial nos municípios de Feliz Natal, Nova Maringá, Juína, Juara, Marcelândia e Canarana, presentes nas listas de janeiro ou fevereiro dos 10 que mais destruíram a floresta. Marcelândia e Canarana aparecem nos dois rankings.
Já em Roraima, a derrubada da vegetação tem avançado em terras indígenas. “Em janeiro, metade dos territórios dos povos originários registrados entre os 10 com maior desmatamento ficavam no estado. Em fevereiro, quatro estavam em Roraima”.
Oito territórios diferentes aparecem nos rankings, mas três deles em ambos os meses: Yanomami, Manoá-Pium e Raposa Serra do Sol.
No Amazonas, os municípios do sul têm sido os mais críticos e a expansão do desmatamento aumentou nos assentamentos.
Em janeiro, o PA Rio Juma ficou em 5º lugar, integrando a lista dos 10 com maior área derrubada. Em fevereiro, esse território liderou o ranking e mais três territórios passaram a integrar a lista: PA Acari (2º lugar), PAE Lago do Acará (3º) e PAE Antimary (6º).
“Esses três estados apresentaram redução no desmatamento se compararmos este bimestre com o mesmo período do ano passado, com quedas de 74% em Mato Grosso, 59% no Amazonas e 3% em Roraima. Porém, para sair do topo do ranking, precisam intensificar ações de combate à derrubada nas áreas críticas e criar mais incentivos para a economia com a floresta em pé”, destaca Larissa.
Pará está em 4º lugar no ranking dos estados
O Pará tem fama de desmatador: em vários anos anteriores chegou a liderar como o estado que mais desmatou a Amazônia. Mas, agora, apresentou redução de 70% no desmate neste bimestre em relação ao mesmo período de 2023. E, assim, ficou em quarto lugar no ranking dos estados com 26 km², 13% do registrado em toda a região.
Entre os 10 municípios mais desmatados em janeiro estão Ipixuna do Pará e São Félix do Xingu. Em fevereiro, São Félix do Xingu.
Já a APA Triunfo do Xingu também liderou o ranking das 10 unidades de conservação mais desmatadas da Amazônia, somando 5 km² perdidos no bimestre, o equivalente a 500 campos de futebol.
Segundo o IMAZON, em janeiro, a Flona (Floresta Nacional) de Saracá-Taquera e a Flona do Jamanxim também tiveram destaque nesse ranking. Em fevereiro, além da líder APA Triunfo do Xingu e da Flona de Saracá-Taquera, outras duas UCs marcaram presença: Flona de Itaituba IIe Rebio (Reserva Biológica) Nascentes da Serra do Cachimbo.
E Bianca alerta: “A APA Triunfo do Xingu já havia ficado no topo do ranking de desmatamento do ano passado, de janeiro a dezembro, e segue com registros de derrubada dentro de seu território. É uma unidade de conservação que precisa de proteção especial neste ano para acabar com a devastação”.
Leia também:
– Amazônia e Cerrado têm queda no desmatamento em janeiro
– Desmatamento em Terras Indígenas e Unidades de Conservação da Amazônia tem maior queda em 9 anos
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Com informações do Imazon
Foto: André Villas-Boas/ISA