
Os profissionais de saúde estão entre as milhares de vítimas da pandemia do novo coronavírus no mundo inteiro. Na linha de frente do combate à COVID-19, médicos/as e enfermeiras/os trabalham diariamente, em longos plantões, tratando pacientes doentes. Apesar dos equipamentos de proteção, como aventais, máscaras e luvas, muitos acabam sendo infectados.
Para evitar que também contaminem seus familiares e coloquem em risco a vida de pessoas mais vulneráveis, como pais idosos ou aqueles com doenças pré-existentes, profissionais de saúde têm evitado o convívio mais íntimo ou se mantido afastados de suas próprias casas.
Com o intuito de ajudar esses profissionais nasceu em Portugal o projeto social Rooms Against Covid (Quartos contra a COVID), que agora chega ao Brasil. O objetivo é usar a tecnologia para conectar profissionais de saúde em busca de acomodações temporárias, seja em hotéis, pousadas, hostels, apartamentos ou flats.
Em operação graças a uma enorme rede de voluntários, o Rooms Against Covid teve Curitiba como a primeira cidade do país a receber o projeto. A economista Nastássia Leite de Castro é a principal responsável por trazer a iniciativa ao Brasil. Ela estava na Europa no início da pandemia e descobriu que, depois de um apelo do governo português, profissionais da área de tecnologia desenvolveram diversas soluções para ajudar durante o período da crise.
“Quando voltei ao Brasil, resolvi que tinha que fazer algo para contribuir”, diz Nastássia, que tem uma longa carreira ligada ao trabalho de geração de impacto social e consultoria a empresas. “O projeto tem um grande potencial porque aloca os profissionais de saúde em acomodações que hoje estão livres, enquanto também movimenta o setor imobiliário e hoteleiro e ajuda a acelerar o achatamento da curva de contágio da COVID-19”, afirma.
E como funciona, na prática, o Rooms Against Covid?
No site do projeto, profissionais de saúde de todo o Brasil se cadastram para tentar achar um quarto na cidade onde moram – respondem a uma série de perguntas e explicam suas necessidades. Ao mesmo tempo, hotéis, pousadas, alojamentos, flats e imobiliárias disponibilizam acomodações, gratuitas ou com preços especiais. Depois disso, a equipe da iniciativa entra em ação e une os dois lados, tentando agilizar o processo, para que aconteça no menor tempo possível.
Na capital paranaense já foram fechadas parcerias com dois hotéis e um hostel. Mas percebeu-se também a necessidade de se contar com apoio financeiro de outros apoiadores para acelerar e zerar a lista de espera, então patrocinadores podem aderir ao Rooms Against Covid para pagar a diferença entre o que o profissional de saúde está disposto a desembolsar e o valor cobrado.
“O foco agora é continuar em Curitiba, nos municípios mais afetados pela COVID-19 no Paraná, em São Paulo e Manaus. Recebemos demanda ainda de profissionais da saúde para Brasília, Osasco, litoral do Paraná e de São Paulo”, revela Nastássia.
Em Portugal, o Rooms Against Covid não contou apenas com divulgação do governo, mas também subsídio, para completar a tarifa de algumas acomodações. Lá o projeto agora será encerrado, já que a pandemia foi controlada. Mas enquanto durou teve um resultado excelente: mais de 700 profissionais de saúde foram ajudados e 15 mil noites – de sono e descanso – disponibilizadas!
“O projeto mostra que se todos contribuírem conseguimos ativar os setores imobiliário e hoteleiro e damos apoio aos profissionais de saúde, já que é muitíssimo importante que eles continuem bem e não levem a COVID para dentro das suas casas”, diz a economista. “Mas vale lembrar que nosso trabalho só é possível graças a uma rede de voluntários e pela disponibilidade de doação dos envolvidos”.
Leia também:
Hotéis do Rio de Janeiro oferecem estadia a idosos de comunidades carentes para que eles possam se proteger do coronavírus
Médicos criam rede de atendimento gratuito pelas redes sociais, e-mail e WhatsApp para esclarecer dúvidas sobre o coronavírus
Foto: domínio público/pixabay