PUBLICIDADE

Brasileira recebe o World Food Prize por trabalho com bactérias naturais que melhoram a produção de alimentos

Brasileira recebe o World Food Prize por trabalho com bactérias naturais que melhoram a produção de alimentos

A pesquisadora brasileira Mariangela Hungria acaba de ser anunciada a vencedora do World Food Prize 2025, considerado o prêmio mais importante da agricultura mundial, o “Nobel da Alimentação e Agricultura”.

“É uma grande honra, ainda não consigo acreditar. Com essa premiação, há também o reconhecimento do empenho da pesquisa brasileira rumo a uma agricultura cada vez mais sustentável”, diz Mariangela.

Formada em Engenharia Agronômica pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ-USP), ela tem três pós-doutorados, dois de universidades dos Estados Unidos e um de instituição espanhola. Membro da Academia Brasileira de Ciências, a pesquisadora é autora e contribuiu com mais de 500 publicações científicas, manuais técnicos e livros, e já recebeu diversos outros prêmios internacionais.

Desde criança, Mariangela era fascinada por microrganismos. Quando chegou à universidade, enfrentou resistência do meio acadêmico para se especializar naquilo que seria seu legado para a agricultura brasileira e mundial: alternativas de base biológica para substituir o uso de fertilizantes químicos na produção de alimentos.

PUBLICIDADE

“A década de 1970 testemunhou a significativa Revolução Verde liderada por Norman Borlaug, que aumentou drasticamente a produção agrícola por meio do uso intensivo de fertilizantes químicos, especialmente os à base de nitrogênio”, relembra. “No entanto, eu já estava trabalhando em uma estratégia diferente – usando microrganismos como biofertilizantes, imaginando que eles poderiam impulsionar uma Micro Revolução Verde, aumentando a produtividade agrícola com responsabilidade ambiental.”

Mariangela explica que o nitrogênio é um nutriente essencial para o crescimento e a produção das plantas, frequentemente usado na agricultura através da aplicação de fertilizantes químicos. No entanto, o uso excessivo desses produtos nitrogenados resulta em maiores emissões de gases de efeito estufa e na poluição da água com nitratos.

A pesquisa da brasileira focou na chamada fixação biológica de nitrogênio, um processo pelo qual microrganismos naturais interagem com as plantas para fixar o nitrogênio do ar no solo, e ser então, absorvido pelas raízes.

“Por muitos anos – anos em que construí minha carreira – o conceito predominante era produzir alimentos para acabar com a fome no mundo. O foco era exclusivamente produzir cada vez mais. No entanto, ao contrário do pensamento dominante na época, sempre trabalhei com o conceito de produzir alimentos de forma sustentável, que vem finalmente ganhando mais credibilidade a cada ano. Hoje, há uma crescente demanda global por maior produção e qualidade de alimentos, mas com sustentabilidade, reduzindo a poluição do solo e da água e diminuindo as emissões de gases de efeito estufa”, ressalta Mariangela.

Brasileira recebe o World Food Prize por trabalho com bactérias naturais que melhoram a produção de alimentos
Mariangela é considerada uma das mais influentes do mundo na sua área de pesquisa
Foto: divulgação World Food Prize / arquivo pessoal

Trabalhando há mais de 40 anos na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Soja), estima-se que suas pesquisas tenham gerado uma economia ao Brasil de até U$ 25 bilhões por ano em fertilizantes – e a emissão de 180 milhões de toneladas métricas de emissões de CO2 equivalente -, reduzindo impactos ambientais e fortalecendo a produção sustentável.

“Mariangela Hungria receberá o World Food Prize de 2025 por seus extraordinários avanços científicos em fixação biológica de nitrogênio, transformando a sustentabilidade da saúde do solo e da nutrição de culturas para a agricultura tropical. As tecnologias e produtos de baixo custo que ela desenvolveu aumentaram a produtividade das culturas de forma acessível e sustentável em dezenas de milhões de hectares. Ao utilizar microrganismos simbióticos do solo como uma alternativa eficaz aos fertilizantes sintéticos, ela não apenas melhorou a absorção de nutrientes pelas plantas, mas também permitiu que os agricultores economizassem bilhões de dólares, mitigando os riscos ambientais associados à poluição e às emissões, produzindo mais com menos”, afirmou a World Food Prize Foundation ao anunciar o nome da pesquisadora.

A entrega do prêmio acontecerá em uma cerimônia em outubro, em Des Moines, no estado de Iowa, nos Estados Unidos, onde fica a sede da World Food Prize Foundation. Mariangela Hungria receberá um prêmio de U$ 500 mil.

“Seu brilhante trabalho científico e sua visão comprometida em promover a produção agrícola sustentável para alimentar a humanidade com o uso criterioso de fertilizantes químicos e aditivos biológicos lhe renderam reconhecimento global tanto no país quanto no exterior”, afirmou Gebisa Ejeta, presidente do Comitê de Seleção dos Laureados pela premiação, ao parabenizar Mariangela.

Brasileira recebe o World Food Prize por trabalho com bactérias naturais que melhoram a produção de alimentos
A avó da pesquisadora era professora de ciências do Ensino Médio e a estimulou a fazer experimentos científicos, estudando insetos e observando os efeitos da fotossíntese no quintal da casa da família
Foto: divulgação World Food Prize / arquivo pessoal

————————–

Acompanhe o Conexão Planeta também pelo WhatsApp. Acesse este link, inscreva-se, ative o sininho e receba as novidades direto no celular

Foto de abertura: divulgação Embrapa

Comentários
guest

0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários
Notícias Relacionadas
Sobre o autor