Desde o ano passado acompanhamos aqui no Conexão Planeta a história do Tião. Ou melhor, “Tiãozinho” para aqueles que o conhecem de perto. Ele é uma anta macho, encontrada sozinha, com as quatro patas queimadas, em 2020, quando incêndios florestais devastaram o Pantanal.
Quando Tião foi resgatado pela Ampara Silvestre, ele tinha entre 30 a 40 dias. Estava muito debilitado e desnutrido. Desde então passou por diversos tratamentos, que incluíram ozonoterapia, laserterapia e a aplicação de pele de tilápia, além de diversos procedimentos para ter seus cascos alinhados.
Infelizmente, apesar de todos os esforços e expectativas para que a anta pudesse voltar à natureza, Tião não tem condições de sobreviver na vida livre por causa de suas sequelas.
Em abril do ano passado, ele foi transferido para um recinto bem grande, situado no Sesc Pantanal, no município de Poconé, no Mato Grosso. Apesar de antas serem animais de hábitos solitários, durante algum tempo Tião dividiu seu recinto com outros bichos. Ademais ele sempre demonstrou gostar de estar próximo de pessoas, pois desde muito pequeno foi cuidado por seres humanos.
Como recentemente Tião passou a ficar sozinho, seus cuidadores perceberam nele um comportamento diferente e acharam que ele estava se sentido só. Decidiu-se então buscar uma nova companhia para ele e Pitanga foi a escolhida.
Assim como Tião, Pitanga foi resgatada ainda filhote. Possui uma cegueira irreversível em um dos olhos e por isso também precisará permanecer em cativeiro.
Em julho, a fêmea foi levada pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) para o Sesc Pantanal para conhecer Tião. Definitivamente não foi amor à primeira vista! O começo da relação foi bastante tenso, com relatos do macho perseguindo a nova moradora.
Todavia, nada com o passar do tempo. Dois meses depois, Tião e Pitanga têm sido avistados em harmonia, compartilhando alimentos e interagindo melhor, até, dormindo juntos.
O macho e a fêmea ainda são muito jovens e não atingiram a maturidade sexual. Então se haverá filhotes ou não nessa história, vamos ter que aguardar “as cenas do próximos capítulos”…
Tião, à esquerda, é maior e um pouco mais escuro. Já Pitanga, na direita, tem o pelo mais marrom
(Foto: cedida gentilmente por Jorge Salomão Junior,
veterinário e responsável técnico da Ampara Silvestre)
Antas: as jardineiras das florestas
A anta (Tapirus terrestris) é o maior mamífero terrestre da América do Sul. Pode pesar entre 200 e 300 kg. Herbívora, ela é conhecida como jardineira da natureza pois, ao se alimentar dos frutos das árvores e arbustos, espalha as sementes pelo caminho.
No mundo todo, existem quatro espécies de antas conhecidas pela ciência: a anta-da-montanha (Andes), a anta-centro-americana (América Central), a anta-malaia (Indonésia), além da observada na América do Sul – todas ameaçadas de extinção, segundo a Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza, (IUCN na sigla em inglês).
Entre as principais ameaças à sobrevivência das antas estão
a perda de habitat (desmatamento) e a caça ilegal
(Foto: Allan Hopkins/Creative Commons/Flickr)
Leia também:
Canjica e Gasparzinho, antas albinas descobertas em reserva de São Paulo, podem ser parentes
Grandes mamíferos, como antas e queixadas, são essenciais para o equilíbrio de nossas florestas
Registrado nascimento de segundo filhote, só em 2022, na reserva do Rio de Janeiro onde antas ficaram extintas durante um século
Foto de abertura: cedida gentilmente por Jorge Salomão Junior, veterinário e responsável técnico da Ampara Silvestre