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Quase um milhão de tartarugas nascem no Tabuleiro de Monte Cristo, às margens do rio Tapajós, no Pará

Quase um milhão de tartarugas nascem no Tabuleiro de Monte Cristo, às margens do rio Tapajós, no Pará

Não poderiam ser mais lindos o final de 2023 e o início de 2024 para o Tabuleiro de Monte Cristo, às margens do Rio Tapajós, próximo ao município de Aveiro, no Pará! Nem para os integrantes do Programa Quelônios da Amazônia (PQA), gerido pelo Ibama por meio da Diretoria de Uso Sustentável da Biodiversidade e Florestas (DFBio).

Isto porque, nesse período, eclodiram milhares de ovos de quelônios nesse berçário, nascendo 931.886 mil filhotes de tartaruga-da-Amazônia (Podocnemis expansa), 1.400 de tracajá (Podocnemis unifilis) e 486 de pitiú (Podocnemis sextuberculata). 

Foto: Paulo Lopes/PQA/Ibama

Um presentão da natureza para a região, também devido aos esforços de conservação do PQA, que atua na região (que fica a seis horas – de lancha rápida – de Santarém) desde 1979, como também à participação da sociedade.

Nos meses de outubro e novembro, indivíduos das três espécies se aglomeram nas praias do André e do Tabuleiro para nidificar. Segundo os pesquisadores do programa, cerca de 15 mil fêmeas frequentam o local. E, como as eclosões levam 60 dias, os nascimentos eram esperados, mas não nessa dimensão.  

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A tartaruga-da-Amazônia é a principal espécie da região, que desova apenas em locais específicos como é o caso do tabuleiro de Monte Cristo. Já a tracajá e a pitiú não têm limites e se espalham ao longo de toda a calha do rio Tapajós.

Foto: Paulo Lopes/Ibama

O PQA acompanha a espécie há cerca de 45 anos, quando só existiam 327 fêmeas e nasciam 18 mil filhotes por ano. E, graças ao trabalho engenhoso e dedicado dos integrantes do PQA do Pará, hoje ela está plenamente recuperada.

Desde o início do monitoramento, já foram soltos 21,2 milhões de pequenos quelônios no rio Tapajós. Vale destacar que a tartaruga-da-Amazônia prepara ninhos em 12 locais no país, sendo nove deles monitorados pelo Ibama.

Clima e comércio: vilões

No entanto, as notícias para este ano não são muito animadoras devido à influência do El Nino (fenômeno de aquecimento fora do normal das águas do Oceano Pacífico). 

Roberto Lacava, coordenador substituto do PQA do Pará – que acompanha o monitoramento em Monte Cristo desde 2016 – explica que, neste ano, certamente o programa não conseguirá obter o mesmo resultado de 2023, quando nasceram 1.065.275 quelônios.

“Provavelmente não chegaremos nesse número. A eclosão está terminando e, no ano passado, houve uma influência forte do El Niño. E vários fatores influenciam no quantitativo, como cheias fortes ou secas também fortes”.

Ele lembra, ainda, que há diversos predadores de quelônios na região, que podem interferir no resultado do PQA – como urubus, garças, jacarés, piranhas e tambaquis -, mas que o mais nocivo, em toda a Amazônia, é o comércio. E o motivo é cultural.

“Acontece no Pará, no Amazonas, em Roraima e no Amapá, mas, aqui, no Tabuleiro, a pressão é intensa”, conta Lacava.

Apoio cidadão e conversão de multas

Como ocorre no Programa Quelônios da Amazônia em Manaus e no Tocantins (no Rio Araguaia), as comunidades e a universidade pública também são atores importantes para o sucesso do monitoramento das espécies no Pará. 

Assim, ribeirinhos de Monte Cristo e de Araipá participam do monitoramento e a Universidade do Oeste do Pará – representada pela docente Priscila Miorando e seus alunos – realiza pesquisas científicas de apoio.

No que tange aos custos e orçamentos, o programa conta com a conversão de multas ambientais, ou seja, o autuado substitui o pagamento da infração por investimentos nas ações do PQA/PA. Nos últimos, mais de R$ 1 milhão foram aplicados dessa forma.

Leia também:
– Cientistas registram nascimento de milhões de tartarugas-da-Amazônia, durante maior desova desses animais no planeta
– Mais de 100 mil filhotes de tartarugas-da-amazônia nascem em 2020, número recorde observado em Tocantins
– Na Amazônia, em julho, milhares de tartarugas transformam praias de água doce em berçários

Fonte: Ibama/PQA 

Foto (destaque): Paulo Lopes/divulgação

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