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Poluição em cidades europeias faz com que turistas “fumem” mesmo sem querer

Poluição em cidades europeias faz com que turistas “fumem” mesmo sem querer

Neste verão, quem andar pelas lindas ruas de Paris, subir a Torre Eiffel e caminhar ao longo do rio Sena durante um final de semana terá fumado praticamente dois cigarros. Esta é a analogia feita por um estudo realizado pela Transport & Enviroment (T&E), ao comparar a poluição inalada por turistas que estão nessas férias no continente.

A organização, que faz pesquisas e campanhas sobre transporte e meio ambiente, analisou o nível da poluição em dez das principais cidades turísticas da Europa e chegou à conclusão de que as pessoas que passam um final de semana em alguma delas podem sofrer os mesmos impactos à saúde do que fumar de um a quatro cigarros.

Istambul e Praga aparecem como as cidades com a pior qualidade do ar. Nelas, respirar durante alguns dias equivale a inalar a fumaça de quatro cigarros. Logo em seguida está Milão, Londres e mais atrás, Amsterdam, Roma e Viena. Em Dublin e Barcelona, o visitante respira “apenas” um cigarro.

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“Quando a poluição do ar é ruim, somos aconselhados a evitar fazer refeições ou exercícios ao ar livre. Mas andar pelas cidades e comer nos terraços dos restaurantes é o que mais se faz nas férias na Europa. Neste momento, turistas, incluindo crianças, são mais ou menos forçados a fumar, em termos de impactos na saúde”, afirma Jens Müller, coordenador de assuntos relacionados à qualidade do ar e óleo diesel da T&E.

Segundo um estudo publicado recentemente por pesquisadores da Queen Mary University of London, a exposição constante, mesmo a níveis baixos de poluição, acarreta em mudanças no tamanho e no funcionamento do coração.

Outras pesquisas já associaram poluição do ar com má qualidade de espermatozoides e até, alteração na estrutura da placenta.

O levantamento feito pela T&E foi baseado em um estudo da Berkeley Earth, que fez um paralelo entre poluição do ar e consumo de cigarros, por acreditar que desta maneira, as pessoas conseguiriam entender melhor os efeitos nocivos à saúde causados pela presença de partículas finas (PM 2.5) no ar que respiramos nas grandes cidades. Em Pequim, por exemplo, a situação é tão crítica, que eles estimam que os chineses “fumem” 1,5 cigarro por hora (leia mais sobre o problema aqui).

A T&E ressalta é que nos meses de verão os veículos são os principais responsáveis pela poluição. E a situação se agrava ainda mais aliada ao calor extremo, quando a dissipação desses gases se torna mais difícil. Pelo segundo ano consecutivo, os países europeus enfrentam temperaturas altíssimas, conforme mostramos nesta outra reportagem recente.

“Os gestores urbanos precisam controlar a poluição do ar ou arriscar uma reação dos turistas. Os carros são a pior causa da poluição do ar nas cidades durante o verão”, diz Müller.  “Os fabricantes de automóveis devem ter um prazo para realmente limpar a bagunça que criaram. Se eles falharem, os veículos poluentes devem ser rapidamente banidos das cidades para proteger os moradores ”.

França e Reino Unido já anunciaram a proibição da venda de carros a gasolina e diesel a partir de 2040, mas especialistas criticam o prazo, ressaltando que ele é muito distante, e até lá, muitas pessoas vão morrer devido a problemas respiratórios.

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Foto: domínio público/pixabay e ilustração divulgação T&E

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Sandra
Sandra
6 anos atrás

Quando civilizados optaram pelo concreto, pelo vidro e pelo aço, esquecendo de priorizar áreas verdes entre os arranha-céus, achando que pessoas poderiam viver numa boa, sem o ar puro das árvores, dançaram; e já que não dá para demolir uns e plantar outros de uma tacada só, o paliativo é virar o foco para os veículos elétricos ou a instalação de implementos filtrantes nas chaminés das indústrias, a não ser que se possa escolher a opção saudável de largar tudo e migrar para longe da poluição sonora e atmosférica da civilização, aterrizando de mala e cuia onde ainda se consiga admirar flores desabrochando sem poeira para ouvir passarinhos cantando sem tossir.

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