Todos os anos as baleias jubarte (Megaptera novaeangliae) podem ser vistas no litoral brasileiro. Elas chegam ao país, vindas da Antártica, para se reproduzir nas águas quentes dos trópicos. O Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, no sul da Bahia, é considerado o berçário da espécie no Oceano Atlântico Sul Ocidental. E graças ao aumento de sua população nos últimos anos, elas estão aparecendo com mais frequência em outros locais da costa do Brasil, como foi o caso que aconteceu há poucos dias nas praias de Iracema e Mucuripe, em Fortaleza.
Todavia, com a maior presença de baleias em águas brasileiras, também vem sendo registrado um novo problema: o aumento da incidência desses animais presos e mortos em redes de pescas.
Como nos explicou no começo do mês o veterinário chefe e coordenador de pesquisa do Projeto Baleia Jubarte, Milton Marcondes, essa é uma situação que ocorre no mundo inteiro. “Onde há concentração de pesca e de baleias existe o problema. Para prevenir isso seria necessário ou modificar o equipamento de pesca para deixar ele mais fácil de ser percebido pela baleia ou para que ela consiga se desvencilhar mais facilmente dele. Mas é um processo longo, que não muda da noite para o dia, e também há muita resistência”.
Este ano, 78 baleias já encalharam no litoral brasileiro, 62 delas nos meses de junho e julho. Todos os animais estavam mortos. Deste total de ocorrências, 28 foram em Santa Catarina. Só na Ilha de Florianópolis, cinco morreram devido à interação com petrechos de pesca.
Recentemente, o presidente da Comissão de Turismo e Meio Ambiente da Assembleia Legislativa de Santa Catarina, deputado Ivan Naatz expressou preocupação com a situação. O parlamentar anunciou que convidou o Comando da Polícia Militar Ambiental do Estado para prestar informações sobre como está sendo feita a fiscalização quanto às redes de pesca ilegais.
Em suas redes sociais, o Projeto Baleia Jubarte apoiou a iniciativa de Naatz:
“Consideramos muito oportuna a iniciativa do Deputado Estadual de Santa Catarina Ivan Naatz em solicitar medidas para reprimir a colocação ilegal de redes de espera ao longo da costa no período de presença das baleias. Além das jubartes, Santa Catarina tem a presença anual das baleias francas, ainda ameaçadas de extinção e base de um Turismo de Observação muito importante para a costa centro-sul do Estado.
Com o feliz aumento das populações de baleias em boa parte da costa brasileira no inverno e primavera, é urgente que as autoridades estabeleçam um diálogo honesto com os pescadores artesanais para buscar soluções ao problema dos emalhes, que deverá ser crescente e prejudica tanto a Natureza como os próprios profissionais da pesca.
As baleias são essenciais ao equilíbrio ambiental dos oceanos, e protegê-las é dever de todos!”
O Conexão Planeta enviou um e-mail para a área de comunicação da Polícia Militar Ambiental de Santa Catarina solicitando uma declaração sobre o assunto e está no aguardo de uma resposta.
Temporada das baleias jubartes 2021
Encalhes
Rio Grande do Sul – 8
Santa Catarina – 28
Paraná – 3
São Paulo – 19
Rio de Janeiro – 10
Espírito Santo – 4
Bahia – 6
Total: 78
Fonte: Projeto Baleia Jubarte
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*Caso você aviste um mamífero, ave ou tartaruga marinha debilitada ou morta na praia, no Paraná, Santa Catarina ou São Paulo, ligue para o Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS), no telefone 0800 642 3341. No Rio de Janeiro o número é 0800 9995151. Sua ajuda é fundamental para salvar vidas!
*Com informação adicionais do Portal Brasileiro de Turismo e da Associação R3 Animal
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Foto : Emmanuel Ferreira/R3 Animal