Filhotes de golfinho aparecem mortos em praias de Florianópolis, suspeita é que foram sufocados por redes de pesca

Filhotes de golfinho aparecem mortos em praias de Florianópolis, suspeita é que foram sufocados por redes de pesca

Dois filhotes de toninhas (Pontoporia blainvillei), espécie pequena de golfinho, ameaçada de extinção, foram encontrados sem vida ontem (11/10), na Praia da Joaquina, em Florianópolis, capital catarinense. Os animais tinham 78 e 85 centímetros de comprimento. Um indivíduo adulto pode atingir até 1,70 metro.

Os animais foram recolhidos pela equipe de monitoramento da Associação R3 Animal*. e levados para o Centro de Pesquisa, Reabilitação e Despetrolização de Animais Marinhos (CePRAM) da organização.

A necropsia realizada nos filhotes apontou para possível causa da morte asfixia/afogamento. Ambas as toninhas tinham marcas no rostro, provavelmente causada pela captura incidental, a chamada bycatch. Mesmo não sendo alvo de pesca, os animais acabam presos acidentalmente.

“Ficamos chocados. Mesmo acostumados à essas situações. As duas toninhas eram filhotes e ainda tinham leite no estômago”, lamentou a médica veterinária Cristiane Kolesnikovas, presidente da R3 Animal.

Filhotes de golfinho aparecem mortos em praias de Florianópolis, suspeita é que foram sufocados por redes de pesca

O focinho apresenta marcas que sugerem que o
animal ficou preso em uma rede

De acordo com a especialista, as capturas incidentais são as principais causas de morte da espécie. A mortalidade em redes de pesca costeiras , principalmente de emalhe, é registrada há mais de meio século, no Brasil, Uruguai e Argentina.

O emalhe consiste em um aparelho de pesca que funciona de forma passiva, pois a captura ocorre pela retenção dos peixes na malha da rede, também denominada de “rede de espera”. Ela é de forma retangular e os pescadores a estende no mar nos pontos de passagem de cardumes.

Filhotes de golfinho aparecem mortos em praias de Florianópolis, suspeita é que foram sufocados por redes de pesca

Existem três tipos de rede de emalhar: de superfície, onde a rede não é fundeada e fica à deriva da embarcação, de meia-água e de fundo, onde a rede fica fundeada é sinalizada por bóias durante a operação de pesca”, esclarece.

Espécie em risco de extinção

A toninha habita águas costeiras, em profundidades de até 30 metros. Vive em pequenos grupos de dois a cinco indivíduos. Esses cetáceos se alimentam de peixes, cefalópodes e crustáceos.

Els podem ser facilmente identificados pelo pequeno porte e o “focinho”, acentuadamente longo e fino, com mais de 200 dentes. Os olhos e a nadadeira dorsal são pequenos, e esta última, é retangular. O corpo tem coloração que pode variar entre tons de marrom, cinza e amarelo.

Justamente por viver perto da costa, esta espécie de golfinho fica mais ameaçada às atividades do homem, como a pesca.

Segundo a Lista Vermelha das Espécies Ameaçadas, da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês), que avalia as condições de sobrevivência de centenas de animais e plantas no planeta, a toninha é classificada como vulnerável e na Lista Nacional de Fauna Ameaçada, como criticamente em perigo.

*Fonte e reprodução de partes de textos do site do Instituto Biopesca

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Caso encontre um mamífero, ave ou tartaruga marinha debilitada ou morta na praia, ligue 0800 642 3341, das 7h às 17h. Sua ajuda é fundamental para salvar vidas!

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*O trabalho de reabilitação de animais marinhos que a R3 Animal realiza em Florianópolis faz parte do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS), uma condicionante do licenciamento ambiental para a exploração do pré-Sal conduzido pelo Ibama. O PMP-BS vai de Laguna SC até Saquarema RJ e é executado por 15 instituições diferentes.

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Fotos: divulgação R3 Animal

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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